INTRODUÇÃO: Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital público em Porto Velho (RO), foi observada ausência de padronização nos registros de evacuação de pacientes críticos. O símbolo “+” era utilizado de forma ambígua nos balanços hídricos, com interpretações divergentes entre os profissionais de saúde, comprometendo a avaliação da função intestinal e levando à suspensão indevida da nutrição enteral, com impactos negativos na evolução clínica dos pacientes. Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de implementação do Gráfico de Fezes de King’s como ferramenta educativa de padronização da avaliação das fezes, por meio do ciclo PDCA (planejar, fazer, verificar, agir), em uma unidade UTI de Porto Velho, Rondônia. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência sobre uma ação educativa realizada durante o mês de julho de 2025, vivenciado por uma residente de nutrição do Programa Multiprofissional em Cuidados Intensivos no Adulto da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia, em uma UTI pública, de um hospital especializado em doenças infectocontagiosas de Porto Velho, RO. A intervenção envolveu profissionais de saúde de diferentes categorias, com foco principal na equipe de enfermagem, e foram utilizados folders informativos sobre disfunção gastrointestinal e nutrição enteral, além de uma dinâmica com cartas de perguntas e respostas e premiações simbólicas. Na primeira semana, foi realizada uma capacitação express (15 minutos) em um único dia. Na segunda semana, foi identificado baixa adesão, e novas capacitações foram promovidas em três dias da semana (segunda, terça e quinta), estendendo-se até a terceira semana, de forma a contemplar todos os turnos e equipes de profissionais. O gráfico de fezes de King’s foi fixado em pontos estratégicos da unidade e foi realizado alinhamento com as nutricionistas do hospital para aderência a padronização. A avaliação foi realizada por meio de observação dos balanços hídricos e relatos espontâneos da equipe. RESULTADOS: A incorporação do Gráfico de fezes de King’s nos balanços hídricos contribuiu para padronização e maior clareza na descrição das fezes, facilitando a comunicação entre os profissionais. A iniciativa foi consolidada como prática assistencial da UTI. ASPECTOS ÉTICOS: A ação foi conduzida como atividade institucional de melhoria de processos, sem envolvimento direto de pacientes nem coleta de dados sensíveis. A participação foi voluntária e autorizada pela gerência médica e de enfermagem. Não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética. CONCLUSÃO: A experiência demonstrou que ações educativas voltadas à padronização de registros podem fortalecer a segurança do paciente e aprimorar o cuidado em ambientes críticos. A implementação do Gráfico de Fezes de King's, aliada às estratégias de capacitação com envolvimento multiprofissional, contribuiu para melhorar a comunicação entre as equipes e favorecer decisões mais seguras relacionadas à terapia nutricional.