INTRODUÇÃO: O ambiente hospitalar, especialmente nos cenários de urgência e emergência é permeado por situações críticas, nas quais a linha entre a vida e a morte é constantemente desafiada. Nesse contexto, os residentes se deparam frequentemente com o limite da intervenção profissional diante da morte do paciente, o que pode provocar impactos emocionais significativos, além de dilemas éticos e desafios no exercício profissional. Assim, compreender os sentimentos dos residentes diante da morte torna-se essencial para promover uma formação mais sensível, ética e humanizada, capaz de acolher o sofrimento e fortalecer o cuidado integral. OBJETIVO: Relatar e compartilhar experiências e sentimentos vividos por residentes no processo de enfrentamento da morte de pacientes em ambiente hospitalar. MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência baseado na vivência do primeiro contato com a morte de pacientes, ocorrida em um Hospital e Pronto-Socorro de uma capital do Norte do Brasil, ocorrida nos meses de março e abril de 2025. A experiência das residentes se construiu a partir da observação dos sentimentos que emergiram durante as tentativas de salvar os pacientes e no processo de morte. Os dados foram registrados por meio de anotações, observações e debates entre as residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência. RESULTADOS: Após a observação do cenário, as residentes se reuniram para discutir sobre as perspectivas relacionadas ao processo de luto e a perda de pacientes, surgindo assim uma série de sentimentos e reflexões. As residentes verbalizaram sentimento de impotência diante da incapacidade de alterar o desfecho clínico, fragilidade, frustração, autoquestionamento, insegurança quanto à própria atuação, angústia existencial frente à finitude da vida e necessidade de silêncio e recolhimento como forma de lidar com o impacto emocional diante do sofrimento vivenciado. A perda de um paciente gera sentimento de luto e compaixão intensificados pela dor dos familiares e pela frustração diante das expectativas terapêuticas não alcançadas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Diante da reflexão coletiva observamos que a morte, embora esperada no contexto em que vivemos, continua sendo um evento impactante. Fica evidente a prevalência de sentimentos negativos, a influência desses acontecimentos na vida pessoal dos profissionais, a falta de preparo acadêmico e a necessidade de suporte emocional. O relato evidencia a necessidade de incluir abordagens sobre o processo de morte na formação dos profissionais e a importância de promover espaços de escuta e reflexão para que possam lidar com esse momento de forma ética e humanizada.