INTRODUÇÃO: As emergências hipertensivas da gestação estão entre as principais causas de morbimortalidade materna no Brasil. Para enfrentá-las, o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) elaboraram os 10 Passos Para A Redução Da Mortalidade Materna, com diretrizes que fortalecem a identificação precoce, o acolhimento e o manejo seguro. OBJETIVOS: Relatar a elaboração de um Protocolo Operacional Padrão (POP) e de instrumentos de apoio, como checklist e maleta de emergência, para o manejo das emergências hipertensivas na gestação na Atenção Primária à Saúde. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência vivenciado no ano de 2025, em uma Unidade Básica de Saúde na cidade de Porto Velho, RO. A criação deste POP surgiu da necessidade identificada durante a vivência prática, discussões nos Fóruns de Mortalidade Materna e estudos no curso intitulado 10 Passos para a Redução da Mortalidade Materna. Foi elaborado em conjunto com a enfermeira preceptora da unidade, com base nos documentos do Ministério da Saúde, Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG), Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e conteúdos da Fiocruz. O processo incluiu o levantamento de insumos, definição das emergências hipertensivas, organização das condutas e atribuições da equipe, além da construção de um checklist validado pela enfermeira preceptora. RESULTADOS: Durante a atuação na Atenção Básica, identificou-se um número significativo de gestantes de alto risco, muitas das quais apresentavam agravamento clínico. Frequentemente, chegavam à unidade com com sinais clínicos compatíveis com emergências hipertensivas, exigindo intervenções imediatas, mesmo diante das limitações estruturais do serviço. Um dos principais desafios enfrentados na unidade é garantir o manejo adequado e em tempo oportuno dessas gestantes até a unidade de referência. A ausência de uma maleta com insumos para casos de emergências hipertensivas na gestação compromete a segurança do atendimento. Assim, membros da equipe participaram de fóruns e capacitações referentes à temática. Foram consultados e adaptados protocolos de outras instituições à realidade local. Elaboraram-se dois instrumentos: um checklist contendo sinais, sintomas e condutas, e uma proposta de maleta de emergência para o atendimento inicial. O protocolo e os instrumentos foram elaborados e aguardam a fase de capacitação da equipe para sua implementação. CONCLUSÃO: Assim, a elaboração do checklist e da maleta de emergência para gestantes com síndromes hipertensivas revelou-se uma estratégia potencialmente viável e adaptável à realidade da Atenção Básica. Embora ainda em fase de implementação, a iniciativa representa um avanço na organização da assistência e contribui para o fortalecimento da segurança materna.