INTRODUÇÃO: O alojamento conjunto é o setor responsável por acolher e prestar assistência à mãe e ao recém nascido após o parto, promovendo o vínculo materno-infantil até a alta hospitalar. O enfermeiro atua na vigilância do binômio, ações educativas e detecção precoce de complicações. Contudo, a prática assistencial é frequentemente atravessada por obstáculos estruturais e burocráticos que limitam o cuidado integral, cenário ainda mais desafiador para residentes, que enfrentam a tensão entre a teoria aprendida e a realidade institucional. OBJETIVO: Relatar a experiência de enfermeiras residentes em obstetrícia diante das dificuldades enfrentadas na tentativa de ofertar um cuidado qualificado a puérperas e ao recém nascido no alojamento conjunto de um hospital público da Região Norte. MÉTODOS:Trata-se de um relato de experiência desenvolvido durante o rodízio prático da residência multiprofissional em enfermagem obstétrica, no período de março a maio de 2025. A elaboração deste relato fundamentou-se na experiência assistencial cotidiana, acompanhada de observações reflexivas e discussões críticas realizadas com a preceptoria deste campo específico da residência. RESULTADOS: Durante o período de atuação no alojamento conjunto, observou-se diversos desafios que impactaram diretamente na qualidade da assistência prestada à mãe e ao recém-nascido, destacando-se: a rigidez das rotinas institucionais, as demandas relacionadas à realização de exames e encaminhamentos do recém-nascido em tempo oportuno para outros setores, a repetitividade de tarefas manuais e manuscritas, além de atribuições administrativas como solicitações de materiais, manutenção de insumos e controle de medicamentos. A redução da equipe de enfermagem intensificava ainda mais essas dificuldades. Além disso, a escassez de leitos e a necessidade de rotatividade precoce das puérperas comprometem a continuidade do cuidado. Apesar dessas limitações, algumas estratégias foram adotadas durante o momento de visita para qualificar a assistência, como orientações, de forma coletiva, sobre higiene do recém-nascido e cuidado com o coto umbilical, manejo de feridas operatórias, amamentação e identificação de sinais de alerta tanto maternos quanto neonatais. Tais orientações também eram reforçadas no momento da alta hospitalar. Esses momentos, ainda que pontuais, representaram esforços para alinhar a prática ao ideal formativo, reafirmando o compromisso ético da residência com a integralidade do cuidado. CONCLUSÃO: A experiência no alojamento conjunto evidenciou que, mesmo diante de desafios estruturais e institucionais, é possível garantir um cuidado de qualidade por meio de ações simples, porém significativas. As dificuldades enfrentadas impulsionaram o amadurecimento profissional, fortalecendo o senso crítico, a autonomia e o compromisso ético das residentes. Essa vivência reafirma que transformar o cuidado é possível, mesmo diante de tantas limitações.