INTRODUÇÃO: Profissionais que atuam nos serviços de emergência estão frequentemente expostos a situações de sofrimento intenso, instabilidade emocional e violência. Entre os atendimentos mais desafiadores estão os casos envolvendo vítimas de violência física, sexual, psicológica ou doméstica, que exigem, além de competências técnicas, preparo emocional, sensibilidade ética e capacidade de acolhimento humanizado. O suporte institucional a esses profissionais após sua exposição repetida a eventos traumáticos, ainda é insuficiente, levando ao desgaste psicológico, ao burnout e à diminuição da qualidade do atendimento prestado. OBJETIVO: Relatar a experiência vivida entre as residentes de Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia, do Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência, sobre a saúde mental dos profissionais que atuam na Sala de Emergência de um Hospital de Urgência e Emergência do Norte do Brasil diante do atendimento à vítimas de violência. MÉTODO: Trata-se de um relato de experiência baseado na observação de profissionais, enfermeiros, técnicos em enfermagem, fisioterapeutas e médicos, que atuam na Sala de Emergência, de um Hospital de Urgência e Emergência do Norte do Brasil, diante do atendimento à vítimas de violência, ocorrida entre os meses de março e julho de 2025. As percepções foram discutidas em encontros reflexivos entre residentes das áreas de Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia, compondo uma análise qualitativa da vivência no cenário de prática. RESULTADO: Identificou-se que os profissionais expressam altos níveis de estresse emocional e desgaste psicológico, especialmente em atendimentos relacionados à violência. Relatos de sentimentos de impotência, medo, revolta e exaustão são frequentes, o que pode comprometer tanto o bem-estar dos trabalhadores quanto a qualidade assistencial. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O cenário observado evidencia a necessidade urgente de estratégias institucionais para promoção da saúde mental no ambiente hospitalar. A implementação de programas de apoio psicológico, ações de educação permanente em inteligência emocional e fortalecimento de equipes multiprofissionais de suporte são fundamentais para proteger a saúde dos profissionais. Valorizar o cuidado com quem cuida não é apenas uma medida assistencial, mas um compromisso ético e indispensável para a qualificação do atendimento em urgência e emergência.