INTRODUÇÃO: A população ribeirinha enfrenta barreiras geográficas que dificultam o acesso à saúde. Assim, o trabalho voluntário contribui com cuidados preventivos e educativos, promovendo saúde. OBJETIVO: Apresentar um relato de experiência sobre uma ação de saúde realizada em uma comunidade ribeirinha no norte do Brasil. MÉTODO: Trata-se de um relato de experiência sobre uma ação de saúde realizada no distrito de São Carlos, região ribeirinha do estado de Rondônia. As atividades foram conduzidas por uma equipe multiprofissional inserida no projeto de extensão intitulado "Acolher", no ano de 2024. As etapas incluíram diagnóstico situacional das necessidades locais, reuniões de planejamento e distribuição de demandas. RESULTADOS: Para promover o acesso e acolhimento em saúde sexual e reprodutiva, o projeto “Acolher” desenvolve ações na Atenção Primária à Saúde (APS) e em escolas de comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas do município de Porto Velho, incluindo os distritos de São Carlos, Nazaré e Calama. No distrito de São Carlos, as atividades ocorreram ao longo de dois dias, conduzidas por 10 enfermeiros, 2 fisioterapeutas, 2 psicólogos e 3 estudantes de psicologia. No primeiro dia, realizou-se educação popular em saúde com adolescentes de 15 a 19 anos na escola local. Antes da intervenção, aplicou-se um questionário para identificar os principais temas de interesse dos estudantes, sendo elencados o bullying, entre os menores de 18 anos, e a diversidade de gênero, entre os maiores de 18 anos. Para a abordagem, os profissionais se dividiram em diferentes salas conforme a faixa etária dos grupos. Metodologias ativas foram utilizadas, como rodas de conversa, construção de árvore de problemas, painéis expositivos e vídeos, promovendo o diálogo e a escuta como ferramentas de aprendizagem. Nas rodas de conversa, emergiram das falas questões relacionadas ao cyberbullying nas redes sociais, o que é especialmente sensível em comunidades pequenas, onde a exposição é maior e o anonimato, reduzido; ansiedade e dúvidas quanto as terminologias identidade de gênero, sexo biológico, expressão de gênero e orientação sexual. Ao final, os alunos elencaram os pontos positivos, melhorias e sugestões. No segundo dia, os profissionais realizaram atendimentos na APS, com coleta de exame citopatológico do colo do útero, testagem rápida para HIV, sífilis, hepatites B e C, consultas ginecológicas e sessões de apoio psicológico. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Foi uma estratégia importante para abordar questões relacionadas à sexualidade, planejamento reprodutivo, infecções sexualmente transmissíveis e saúde mental. O uso de metodologias participativas proporcionou o diálogo entre pares, gerando identificação e acolhimento. Além de estimular reflexões sobre o bullying e a diversidade de gênero, promovendo o enfrentamento de violências e preconceitos relacionados à desinformação. Também foram observados os desafios enfrentados pelas populações ribeirinhas na obtenção de cuidados básicos, reforçando a necessidade de estratégias interdisciplinares e territorializadas de promoção da saúde, visando à equidade.