INTRODUÇÃO: O puerpério caracteriza-se como um período de intensas mudanças e adaptações. Tal fato perpassa aspectos fisiológicos, psicológicos e torna evidente a vulnerabilidade e os diversos riscos que a puérpera possui. Dentre os riscos, destaca-se a infecção do sítio cirúrgico em mulheres pós - cesariana, sua ocorrência é influenciada por fatores extrínsecos e intrínsecos que refletem de forma significativa na morbidade e tempo de internação. OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico das puérperas com infecção de sítio cirúrgico pós-cesárea no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro. METODOLOGIA: Estudo observacional, descritivo com abordagem quantitativa. A coleta de dados ocorreu através de um formulário pré-estabelecido e baseado nos critérios de definição de vigilância do CDC/NHSN Surgical Site Infection (SSI) Surveillance Definition (Centers for Disease Control and Prevention - National Healthcare Safety Network). As pesquisadoras realizaram busca ativa de puérperas que foram submetidas à cesariana e que evoluíram para Infecção de Sítio Cirúrgico diagnosticada em 30 dias do procedimento e que estavam internadas na maternidade do hospital em questão. Os dados coletados tiveram como fontes as entrevistas realizadas com as pacientes e informações do prontuário médico. Os dados foram armazenados em banco de dados e analisados utilizando-se o programa Epi Info (versão 7.2 CDC/2023). Nessa análise preliminar foram estimadas frequências e médias das variáveis mais importantes. RESULTADOS: A coleta de dados teve início em maio de 2025, obtendo informações preliminares sobre 9 puérperas que evoluíram para infecção no sítio cirúrgico. Dentre os dados foram analisados raça/cor: 88 % (8) se autodeclararam pardas e 11% (1) branca. Em relação à idade, 55% (5) tinham entre 15 a 25 anos e 44% (4) mais de 26 anos. No que se refere ao IMC, 33% (3) foram classificadas como eutróficas; 33% (3) obesidade grau III; 22% (2) sobrepeso e 11% (1) obesidade grau I. Comorbidades associadas, 33% (3) obesidade; 22% (2) relataram pré-eclâmpsia e eclâmpsia; 22% hipertensão arterial gestacional; 22% (2) negaram comorbidades associadas; 22% (2) Diabetes Mellitus e Diabetes Mellitus Gestacional; 11% (1) hipertensão arterial crônica. Sobre os cuidados com a ferida operatória, 89% (8) refere terem sido orientadas e 11% (1) relata não ter sido orientada. CONCLUSÃO: Os dados iniciais mostram que a maioria das puérperas com infecção cirúrgica é parda, jovem (15-25 anos), obesas e cocomorbidades. Apesar de 89% terem recebido orientações sobre cuidados com a ferida, houve relatos de limpeza incorreta, indicando possíveis falhas na qualidade ou no entendimento das informações repassadas. CAAE: 85263724.3.0000.0011 Número do parecer: 7.518.287.