INTRODUÇÃO: A segurança do paciente cirúrgico depende, entre outros fatores, da qualidade das orientações perioperatórias. Embora práticas seguras possam reduzir até 7% das mortes evitáveis em países de baixa/média renda, complicações cirúrgicas ainda acometem mais de um terço dos pacientes hospitalizados. A ausência de padronização nas orientações prejudica a adesão às condutas e compromete a qualidade da assistência. Nesse contexto, torna- se essencial mapear as melhores práticas educativas ao paciente cirúrgico com base nas evidências disponíveis. MÉTODO: Trata-se de uma revisão sistemática registrada no PROSPERO (CRD420251021337), que incluiu estudos qualitativos, quantitativos e de métodos mistos, publicados entre 2020 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. As buscas foram realizadas entre jan/fev de 2025 em bases nacionais e internacionais, além de literatura cinzenta. A seleção e extração dos dados foram conduzidas por dois revisores independentes, com avaliação metodológica segundo o Joanna Briggs Institute. RESULTADOS: Foram incluídos 23 documentos: 08 artigos científicos, 07 dissertações, 01 tese e 07 manuais institucionais. Seis orientações mais recorrentes no pré-operatório foram o banho, e o jejum, citado por cinco, com destaque para jejum de 6 a 8 horas para sólidos e até 2 horas para líquidos claros. Três documentos ressaltaram a verificação dos dados do paciente, do procedimento, da lateralidade, uso da pulseira de identificação e a retirada de adornos. O checklist de cirurgia segura apareceu como medida essencial em três documentos. Foram também citadas orientações sobre o termo de consentimento, relato prévio de medicações e alergias, e medidas preventivas contra quedas. No intraoperatório, oito fontes abordaram estratégias para prevenção da infecção do sítio cirúrgico, reforçando a adesão a protocolos e a orientação direta ao paciente. Duas fontes destacaram a importância do apoio emocional e da prevenção de lesões por pressão. No pós-operatório, destacaram-se os cuidados com curativos, identificação precoce de infecção, estímulo à participação ativa do paciente, orientações para o autocuidado domiciliar, uso de goma de mascar para estimular o trânsito intestinal e cuidados com drenos. Seis documentos mencionaram o aquecimento do paciente e o uso de coxins. Uma dissertação reforçou o monitoramento imediato na sala de recuperação pós-anestésica, com checagem dos sinais vitais antes da transferência para a enfermaria. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A padronização das orientações perioperatórias, baseada em evidências, fortalece a segurança cirúrgica, melhora a compreensão do paciente e contribui para a redução de riscos. O produto técnico desta revisão será uma ferramenta educativa de apoio às ações em saúde no SUS.