INTRODUÇÃO: A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente complexo, marcado por ruídos constantes de equipamentos, luzes intensas e constante movimentação de profissionais, o que pode intensificar quadros de agitação e sofrimento, especialmente em pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora pessoas com TEA tenham o direito a uma assistência humanizada e segura, a escassez de protocolos específicos e a falta de preparo da equipe multiprofissional podem comprometer a qualidade do cuidado. Tem-se como objetivo relatar a experiência do atendimento a um paciente com TEA em uma UTI Adulto, demonstrando os desafios enfrentados diante de um perfil de paciente atípico à rotina da unidade. METODOLOGIA: Relato de experiência, com abordagem descritiva, realizado entre março a maio de 2025, vivenciado por residentes de enfermagem do Programa Multiprofissional em Cuidados Intensivos no Adulto da Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia, em uma UTI pública, especializada em doenças infecciosas, localizada em Porto Velho, Rondônia. RELATO DE EXPERIÊNCIA: Durante o período de atuação na UTI, foi internado um paciente adulto com diagnóstico de TEA, associado a déficit de fala e atraso mental. A presença do paciente representou um desafio para a equipe, uma vez que o perfil da unidade normalmente não contempla casos com necessidades neurocomportamentais específicas. Observou-se que os ruídos constantes do ambiente, como alarmes, monitores, ventiladores mecânicos e vozes sobrepostas, provocavam crises frequentes de agitação, sobretudo após o banho - momento em que notou-se que o paciente demonstrava maior desconforto sensorial. Em diversas ocasiões, foi necessário o uso de contenção mecânica para evitar comportamento auto lesivo e retirada inadvertida de dispositivos. A equipe, embora comprometida com o cuidado, demonstrou dificuldade em adotar estratégias adequadas de abordagem, comunicação, execução dos cuidados e manejo da condição neurológica e comportamental do paciente. A vivência expôs a carência de capacitação específica para atendimento a pacientes neurodivergentes e a urgência de protocolos adaptados ao contexto da terapia intensiva. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O cuidado ao paciente com TEA em ambiente de alta complexidade requer intervenções individualizadas e equipe capacitada para atender suas necessidades sensoriais e comportamentais. A falta de preparo técnico pode comprometer a qualidade e a segurança do atendimento. Assim, capacitar a equipe, adaptar rotinas, garantir a presença de acompanhante, ajustar a iluminação e manter o ambiente organizado são estratégias importantes para promover a humanização e inclusão de pacientes neurodivergentes em ambientes críticos.