INTRODUÇÃO: A assistência ao paciente grande queimado configura um desafio para a equipe multiprofissional, sobretudo durante os curativos, um procedimento doloroso e traumático. A dor intensa e o sofrimento emocional exigem estratégias que vão além da terapêutica medicamentosa. Nesse contexto, a música destaca-se como recurso eficaz, contribuindo para o alívio da dor e promovendo o bem-estar. Mesmo não institucionalizada, a musicoterapia pode ser integrada à rotina assistencial como prática sensível e centrada no paciente, especialmente em situações que envolvem grande sofrimento, como o cuidado a queimaduras extensas. OBJETIVO: Relatar a experiência do uso da música como estratégia complementar na assistência de enfermagem a um paciente grande queimado, destacando seus efeitos no alívio da dor, do sofrimento psíquico e na promoção do conforto. MÉTODO: Trata- se de um relato de experiência de abordagem qualitativa e natureza descritiva, baseado nas vivências de residentes de Enfermagem atuantes no Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Intensivos no Adulto, em uma unidade de terapia intensiva de um hospital em Porto Velho, Rondônia, em 2025. A experiência descrita refere-se à assistência prestada a um paciente vítima de queimaduras em aproximadamente 85% da superfície corporal. Os dados foram coletados por meio da observação direta das reações do paciente durante os curativos, antes e após a introdução de uma playlist com músicas de sua preferência. As respostas foram analisadas com base na percepção da equipe e nas manifestações comportamentais observadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Antes da introdução da música, o paciente manifestava dor intensa durante os curativos, mesmo com uso de opioides, apresentando agitação, gritos e sinais de sofrimento. A inserção de uma playlist com músicas de sua preferência resultou em mudanças perceptíveis, como cantar durante o procedimento, demonstrando maior tolerância à dor, menos agitação e menor verbalização de desconforto. A música funcionou como distração, promovendo acolhimento emocional. Observou-se um ambiente mais leve e maior vínculo com o paciente, favorecendo um cuidado centrado na pessoa. Esses achados reforçam o potencial da musicoterapia como estratégia eficaz na redução da dor percebida e no enfrentamento do sofrimento. CONCLUSÃO: A experiência demonstrou que o uso da música como estratégia durante os curativos em paciente grande queimado contribuiu para a redução da dor, o alívio do sofrimento psíquico e a promoção do conforto. A intervenção, alinhada às preferências do paciente, mostrou-se simples, efetiva e acolhedora, fortalecendo o vínculo terapêutico e destacando a importância das práticas integrativas na assistência de enfermagem a pacientes críticos.