INTRODUÇÃO: As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são ambientes complexos e emocionalmente desgastantes para a enfermagem, exigindo vigilância contínua, decisões rápidas e atuação diante de casos graves. Essa rotina é marcada pela proximidade com dor, sofrimento e morte, além da sobrecarga de funções, como cuidados diretos, gestão de materiais e apoio familiar. Mesmo diante desse cenário, faltam políticas institucionais e públicas que priorizem o suporte à saúde mental dos profissionais, favorecendo quadros de adoecimento emocional e comprometendo a qualidade do cuidado. O objetivo deste estudo é evidenciar as percepções e desafios enfrentados por residentes de enfermagem atuantes nesse contexto crítico. MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência, baseado nas vivências de enfermeiros residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Intensivos do Adulto da Secretaria de Saúde de Rondônia. As experiências ocorreram em hospitais públicos de Porto Velho, Rondônia, entre março e abril de 2025. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os residentes observaram quadros frequentes de sofrimento mental entre enfermeiros intensivistas, incluindo ansiedade, depressão, distúrbios do sono e consumo elevado de cafeína para manter o estado de alerta. Tais sintomas associam-se à sobrecarga de funções e à exposição repetida a eventos traumáticos. Identificou-se que os próprios residentes também se sentem vulneráveis a esse adoecimento, compartilhando experiências semelhantes. Outro ponto crítico foi a ausência de suporte psicológico institucionalizado, refletindo uma cultura organizacional que desvaloriza o sofrimento emocional dos trabalhadores. A resiliência é tratada como obrigação pessoal, não como uma construção que exige apoio. Condições ambientais, como ruído excessivo e ausência de espaços adequados para descanso, foram apontadas como fatores agravantes do estresse e da exaustão emocional. CONCLUSÕES: A atuação em UTIs expõe os profissionais a elevados riscos de sofrimento psíquico, tornando urgente a implementação de políticas públicas e institucionais que promovam o bem-estar da equipe de enfermagem. Estratégias que incluam apoio psicológico estruturado, valorização profissional e melhoria das condições de trabalho são fundamentais para a qualidade da assistência e preservação da saúde mental dos trabalhadores.