INTRODUÇÃO: O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma síndrome neurológica súbita, tempo-dependente, que pode ocasionar alterações cognitivas, sensitivas e motoras, considerada uma das principais causas de mortalidade e incapacidade no mundo. Seu prognóstico depende do diagnóstico e intervenção precoce. Portanto, esta pesquisa tem por intuito identificar e descrever o perfil clínico-epidemiológico de pacientes com AVE atendidos em um hospital de referência na Amazônia Ocidental. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa prospectiva, quantitativa, de caráter descritivo transversal, realizada mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, conforme o CAAE no 8533824.3.0000.0011. Realizou-se a análise documental de 97 prontuários físicos e eletrônicos de pacientes diagnosticados com AVE, entre março e maio de 2025, no Hospital Estadual e Pronto Socorro João Paulo II. A coleta de dados ocorreu através de critérios pré-definidos, como a confirmação do diagnóstico de AVE e seus subtipos. RESULTADOS: A análise parcial dos dados vem demonstrando uma maior incidência de AVE do tipo isquêmico (55,6%), em pacientes do sexo masculino (56,7%), com idade média de 62 anos, confirmando a hipótese de predominância em idosos. Em relação à raça, 86,6% dos pacientes eram autodeclarados negros. Dentre os sinais clínicos, a hemiparesia tem sido mais frequente (69,92%), seguido do desvio de rima labial (42,27%). Entre as comorbidades mais prevalentes, destacam-se a hipertensão arterial sistêmica (65,98%) e a diabetes mellitus (20,62%). Quanto ao tempo de atendimento, apenas 16,5% dos pacientes chegaram em janela terapêutica, com baixa adesão ao uso do trombolítico (11,3%), nos casos de AVE isquêmico e, 18,6% dos pacientes foram submetidos a cirurgia, no caso do AVE hemorrágico, o que sugere desafios associados à chegada ao hospital ou identificação precoce dos sintomas. Dentre os desfechos, prevaleceram os casos de óbito e de transferência para outras unidades hospitalares, o que, por sua vez, inviabilizou a análise completa da evolução clínica em muitos prontuários. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Diante do exposto, reforça-se a importância de ações educativas quanto à detecção precoce dos sinais clínicos, organização de fluxos assistenciais bem definidos e estratégias de prevenção e controle de comorbidades. Tais medidas visam reduzir a incidência dos casos, minimizar as sequelas e aumentar as chances de recuperação do paciente.