INTRODUÇÃO: A Manobra de Ritgen, técnica que consiste na aplicação de pressão controlada sob o períneo durante o período expulsivo, permanece como um dos temas controversos dentro da prática obstétrica. Enquanto protocolos tradicionais ainda preconizam manobras ativas como padrão, evidências recentes desafiam essa prática. Para Huang et al. (2020), em uma revisão sistemática abrangente, demonstra que o períneo livre não aumenta o risco de lacerações graves e pode, na verdade, preservar a integridade do períneo quando comparada a intervenções manuais. OBJETIVO: comparar os resultados da não proteção perineal, durante o período expulsivo com base em evidências científicas atuais e na minha experiência prática na assistência ao parto. METODOLOGIA: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, baseado na prática assistencial como residente de enfermagem obstétrica em uma maternidade pública durante 2025. RESULTADO: Durante minha prática assistencial aos partos vaginais, tive a oportunidade de aprender e aplicar diferentes técnicas perineais com o intuito de promover um parto que minimize traumas e seja seguro para a parturiente. Durante o trabalho de parto, adotei tanto a proteção perineal ativa (hands-on), com manobras como o Ritgen e suporte manual do períneo para controlar a saída do feto e prevenir lesões, quanto a técnica hands-off (expectante), respeitando a fisiologia natural do parto e intervindo apenas quando necessário. Essas abordagens me permitiram comparar na prática os resultados de cada método. Analisando os partos que realizei a assistência, observei que os casos em que optei por não realizar a proteção perineal, apresentaram resultados mais satisfatórios. Nestes partos, as puérperas apresentaram menos lacerações graves e, quando ocorreram, foram lesões localizadas em áreas menos sensíveis da vulva e algumas puérperas sequer apresentaram qualquer tipo de laceração. É importante destacar que os resultados positivos obtidos nesses partos foram consequência de uma abordagem global que priorizou a fisiologia materna. A orientação prévia detalhada às gestantes explicando claramente que seu corpo naturalmente produziria as contrações uterinas eficazes e os puxos involuntários no momento adequado, mostrou-se tão crucial quanto qualquer técnica manual. CONCLUSÃO: A experiência demonstrou que ao respeitar a fisiologia do parto, sem intervenções manuais pode resultar em melhores desfechos para as parturientes, esta vivência reforça o questionamento sobre a necessidade e efetividade da proteção perineal.