Introdução: Historicamente, pessoas LGBTQIA+ enfrentaram discriminação em várias esferas da sociedade. É importante destacar que segundo a ONU, a expectativa de vida de pessoas trans - aquelas cuja identidade de gênero difere do sexo designado ao nascimento - na América Latina não ultrapassa os 35 anos. Essa discriminação também pode estar presente no sistema de saúde, onde, muitas vezes, o atendimento a esses pacientes é marcado pelo preconceito [1]. O câncer cervical é uma das neoplasias mais comuns entre pessoas com útero. A infecção e persistência pelo HPV é considerada a condição necessária para o desenvolvimento desse câncer e o exame de Papanicolau é crucial na detecção precoce [2]. Pessoas transgênero enfrentam desconforto durante o exame de citologia cervical, despreparo dos profissionais e pelo aumento de resultados insatisfatórios devido às mudanças fisiológicas causadas pela terapia com testosterona, havendo a necessidade de repetir o exame, com isso elevando a disforia de gênero, sensação de desconforto com características do corpo, dessas pessoas [3]. Existe uma necessidade de estudos específicos sobre câncer cervical em pessoas trans devido às suas vivências particulares, incluindo o uso de hormônios e os desafios no acesso aos cuidados com a saúde [4]. Objetivo: Identificar os desafios e as dificuldades enfrentadas por pessoas transgênero que mantêm o útero em relação à prevenção do câncer cervical, a partir de uma revisão de literatura.