Introdução: A globalização tem alterado significativamente as formas de interação entre culturas e os modos como indivíduos e grupos constroem suas identidades, produzindo um movimento de desterritorialização das referências culturais que afeta diretamente o sentido de pertencimento e memória coletiva. Nesse contexto, o patrimônio cultural ocupa uma posição paradoxal: ao mesmo tempo em que se torna objeto de crescente valorização como ancoragem identitária, corre o risco de ser esvaziado de sentido pela lógica mercantil do turismo cultural. Objetivo: Discutir as relações entre patrimônio cultural, identidade e globalização, analisando as possibilidades da Educação Patrimonial como instrumento pedagógico de valorização das referências culturais e fortalecimento dos vínculos entre sujeitos e bens culturais de seu grupo social. Metodologia: Pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de revisão crítica e análise interpretativa de literatura especializada sobre globalização, identidade cultural, patrimônio e educação, tendo como eixo articulador as relações entre mundialização da cultura, construção identitária e práticas de Educação Patrimonial. A discussão ancora-se em referenciais consolidados do campo, dialogando com as diretrizes da Política Nacional de Educação Patrimonial sistematizadas pelo IPHAN (2014). Resultados: A preservação do patrimônio em tempos de globalização não pode se restringir à manutenção física de monumentos ou à sua conversão em produtos de consumo turístico. O paradigma participacionista, que envolve a comunidade na ressignificação dos bens culturais, revela-se o mais adequado para enfrentar os efeitos da fragmentação identitária pós-moderna. A Educação Patrimonial, estruturada em etapas metodológicas que conduzem o sujeito da observação à apropriação afetiva do bem cultural, constitui prática pedagógica capaz de devolver ao patrimônio sua função social essencial. Iniciativas como o Programa Mais Educação e a Rede Casas do Patrimônio demonstram que esse reconhecimento vem se traduzindo em políticas públicas concretas de gestão compartilhada. Considerações finais: A Educação Patrimonial é um instrumento eficaz de fortalecimento identitário, capaz de transformar o olhar distante sobre o patrimônio em apropriação afetiva e cidadania ativa.