A mortalidade na infância expressa a interação de múltiplos determinantes sociais da saúde, constituindo um dos indicadores mais sensíveis das desigualdades sociais, ambientais e sanitárias que afetam populações vulneráveis. No Brasil, embora avanços importantes tenham sido registrados nas últimas décadas, persistem desafios na compreensão das dimensões de vulnerabilidade que influenciam a mortalidade entre crianças. Apesar da permanente relevância dos determinantes clássicos, estudos recentes sugerem mudanças no conjunto de fatores que moldam o risco de adoecimento e morte em menores de cinco anos. Nesse cenário, torna-se essencial identificar essas tendências para subsidiar práticas de cuidado, ações educativas e políticas públicas equitativas. Este estudo tem como objetivo identificar e sintetizar evidências recentes sobre determinantes emergentes associados à mortalidade na infância no Brasil. Trata-se de uma revisão exploratória da literatura realizada nas bases PubMed, BVS/LILACS e SciELO, abrangendo publicações de 2015 a 2025. Foram utilizados descritores MeSH e DeCS (“child mortality”, “social determinants of health”, “vulnerability”) e o termo “under-five mortality”. A busca identificou 312 estudos na PubMed, 198 na BVS/LILACS e 156 na SciELO; após triagem, 120 artigos foram incluídos e organizados em eixos temáticos (socioeconômico, demográfico, ambiental, saúde e infraestrutura). Excluíram-se duplicatas e estudos clínicos ou não epidemiológicos. Os resultados evidenciaram associação entre mortalidade na infância e exposições ambientais, como poluição atmosférica, eventos climáticos extremos e desmatamento; condições urbanas adversas, incluindo moradias precárias, saneamento insuficiente e segregação territorial; insegurança alimentar relacionada à pobreza e ao acesso limitado a alimentos saudáveis; além de marcadores sociais contemporâneos, como exposição à violência urbana e instabilidade econômica decorrente do trabalho informal. Também se destacaram fragilidades metodológicas na integração dessas dimensões, com escassez de estudos que avaliem riscos ambientais, sociais e nutricionais de forma combinada. Diversas pesquisas ressaltaram o potencial das ações de educação em saúde, incluindo promoção do aleitamento materno, cuidados no ambiente domiciliar, prevenção de agravos ambientais, orientação nutricional e estratégias voltadas ao enfrentamento de vulnerabilidades sociais para reduzir riscos e fortalecer a autonomia familiar. Conclui-se que a incorporação dos determinantes emergentes à agenda de políticas e práticas educativas é essencial para o enfrentamento das iniquidades que afetam a sobrevivência infantil no país.