Introdução: A mortalidade na infância é um importante indicador das condições de vida, do desenvolvimento social e da organização dos serviços de saúde. Embora o Brasil tenha apresentado a redução desse indicador nas últimas décadas, persistem desigualdades regionais e desafios associados a transformações sociais, ambientais e comportamentais. Objetivo: Sintetizar evidências da literatura recente sobre determinantes sociais da mortalidade na infância no Brasil, destacando fatores clássicos e emergentes. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa baseada em estudos de revisão identificados na base PubMed, utilizando descritores relacionados à mortalidade na infância e aos determinantes sociais da saúde, combinados ao termo Brasil, para o período de 2015 a 2025. A busca resultou em 35 estudos, dos quais foram excluídos aqueles não relacionados diretamente ao tema, estudos primários, artigos duplicados e revisões que não abordavam determinantes sociais. Ao final, seis estudos foram incluídos na análise. A síntese foi realizada de forma descritiva, com categorização dos determinantes em clássicos (fatores tradicionalmente associados à saúde) e emergentes (fatores mais recentes, relacionados a mudanças sociais, ambientais e contextuais). Resultados: Os estudos evidenciam que determinantes socioeconômicos, como baixa renda familiar e baixa escolaridade materna, estão classicamente associados ao aumento da mortalidade na infância, refletindo desigualdades regionais e condições de vida desfavoráveis. Fatores relacionados ao sistema de saúde, como maior cobertura da Estratégia Saúde da Família e acesso oportuno aos serviços, apresentam impacto significativo na redução dos óbitos. Entre os determinantes biológicos, destacam-se a prematuridade e o baixo peso ao nascer como principais fatores de risco. Adicionalmente, a literatura recente aponta determinantes emergentes, como depressão materna e dificuldade de acesso geográfico aos serviços de saúde, associados ao aumento do risco, e políticas de transferência de renda, significativamente associadas à redução do risco. Conclusão: A mortalidade na infância resulta de uma complexa interação entre determinantes estruturais, intermediários e individuais. A incorporação de determinantes emergentes amplia a compreensão do fenômeno e reforça a necessidade de abordagens intersetoriais para sua redução.