Introdução: A música é uma ferramenta de promoção da saúde, com efeitos sobre a saúde mental, o bem-estar subjetivo e a espiritualidade, dimensões inter-relacionadas. Em pessoas idosas institucionalizadas, a experiência musical pode adquirir significados singulares, sendo a subjetividade um elemento central para a assistência integral à saúde. Objetivo: Descrever a percepção e analisar a influência da audição musical sobre a espiritualidade de idosos residentes em uma instituição de longa permanência. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa. Participaram nove idosos, sem declínio cognitivo, residentes em uma Instituição de Longa Permanência no interior de Minas Gerais. A coleta ocorreu entre junho e julho de 2023 após treinamento e teste piloto, por meio de três etapas: na primeira etapa foram aplicados dois instrumentos: ficha de dados sociodemográficos e Mini Exame de Estado Mental; na segunda etapa, foi realizada intervenção de audição musical com uso da imagem mental guiada; e na terceira etapa, entrevista semiestruturada. Resultados: Das nove pessoas idosas, com idade entre 67 e 85 anos, cinco eram do sexo masculino, com tempo médio de residência na instituição de 7,8 anos. Após análise das entrevistas emergiram três categorias: Reflexões sobre o significado da música; Música e espiritualidade: compreensão dos idosos; e Vivenciando uma intervenção de audição musical. Os resultados evidenciaram que a música é percebida como elemento significativo na vida dos idosos, associada à evocação de memórias, emoções e sentimentos ambivalentes, como alegria, saudade e, em alguns casos, desconforto. Observou-se que a música foi compreendida por grande parte dos participantes como promotora de bem-estar e tranquilidade, além de favorecer experiências relacionadas à espiritualidade, como sensação de paz, leveza e conexão interior. Conclusão: A audição musical associada à imagem mental em idosos institucionalizados favoreceu a expressão de sentimentos, resgate de memórias e construção de sentidos, sendo mediadora da conexão consigo mesmo, com o outro e com algo significativo, partes da espiritualidade. Favoreceu ainda a valorização da subjetividade da pessoa idosa, e a promoção de bem-estar: uma intervenção acessível e humanizadora, capaz de promover o cuidado integral em saúde.
FAPEMIG.