Introdução: O consumo de álcool no ambiente acadêmico configura-se como um fenômeno sociocultural complexo e um desafio persistente para a saúde pública, dada sua estreita correlação com comportamentos de risco e diversos agravos biopsicossociais. De acordo com modelos cognitivos da psicologia da saúde, o comportamento de beber não é aleatório, sendo impulsionado por percepções e expectativas subjetivas sobre os efeitos da substância. Essas crenças, que variam entre benefícios sociais e prejuízos à saúde, atuam como mediadores fundamentais na decisão de consumir e na intensidade do uso. Objetivo: Analisar as percepções de universitários brasileiros sobre o uso de álcool, investigando sua associação direta com padrões de consumo de risco e o engajamento em condutas perigosas no cotidiano acadêmico. Metodologia: Realizou-se um estudo transversal e quantitativo com uma amostra de 367 estudantes de instituições de ensino superior (média de idade de 22,2 anos). A coleta de dados foi estruturada via questionários digitais, utilizando a Escala de Percepções sobre o Consumo de Álcool e o AUDIT-C para a classificação do nível de risco. O tratamento estatístico empregou os testes de Mann-Whitney e Qui-quadrado, além de modelos de regressão logística binomial para identificar preditores de comportamento. Resultados: A prevalência de uso de álcool na amostra foi de 82%, com 55,6% classificados em consumo de alto risco. Observou-se que estudantes no grupo de risco atribuem significativamente mais benefícios ao álcool (desinibição, diversão e alívio de estresse), enquanto o grupo de baixo risco enfatiza consequências negativas (agressividade e dependência). O risco de consumo foi fortemente potencializado pela frequência em ambientes sociais, como bares e festas (OR entre 3,82 e 4,18). Adicionalmente, o consumo de risco associou-se a comportamentos perigosos, como dirigir sob efeito de álcool (OR=4,27), prática de sexo desprotegido e uso concomitante de maconha. Considerações Finais: Conclui-se que o beber universitário é moldado por expectativas onde os reforçadores sociais superam a percepção de danos em contextos permissivos. É urgente a implementação de estratégias preventivas que foquem na desconstrução dessas expectativas de recompensa e no manejo das normas sociais institucionais.