Introdução: O uso de cigarros eletrônicos e narguilé tem crescido substancialmente entre os jovens universitários, se configurando enquanto uma prática associada á sociabilidade, ao pertencimento e a um contexto de normalização e de mudanças nas representações do ato de fumar. Objetivo: Analisar como os processos de normalização e legitimação do consumo de dispositivos eletrônicos contribuem para o aumento deste hábito entre os jovens. Metodologia: Pesquisa quantitativa com 588 estudantes universitários brasileiros, conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), entre os anos de 2022 a 2024. A coleta de dados foi realizada de forma online, através do convite realizado via e-mail para os discentes de diferentes Universidades do país. Para isso, foi necessária a autorização expressa das entidades. Foram convidados estudantes de graduação pertencentes às Instituições públicas e privadas, com idade igual e/ou superior a 18 anos. Importante considerar que, por se tratar de uma pesquisa em ambiente virtual, foi necessário detalhar ao Comitê de Ética em Pesquisa todo o procedimento, visando garantir a proteção dos participantes, bem como, assegurar que todos os critérios seriam preservados, tais como o anonimato. A pesquisa seguiu mediante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido dos participantes. Resultados: Os achados revelam não apenas a ampla disseminação desses dispositivos, mas sobretudo os mecanismos sociais que sustentam sua legitimação no cotidiano acadêmico. Nota-se que o consumo está profundamente ancorado na lógica do pertencimento grupal, ocorrendo majoritariamente em contextos coletivos e recreativos. Neste sentido, o ato de fumar deixa de ser apenas um comportamento de risco para se tornar um marcador simbólico de integração social. Trata-se de um processo de normalização cultura, no qual o risco é relativizado e diluído nas experiências coletivas e na percepção de controle sobre o consumo. A estética tecnológica e a percepção de menor nocividade dos dispositivos também desempenham papel relevante nesse processo, funcionando como elementos de reconfiguração simbólica do ato de fumar. Considerações Finais: O estudo evidencia que a expansão do uso de dispositivos eletrônicos para fumar não ocorre de maneira neutra, mas está inserida em dinâmicas sociais que favorecem e minimizam os seus riscos.