Introdução: O consumo de dispositivos eletrônicos para fumar, pode ser compreendido enquanto uma prática sociocultural vinculada à construção de identidades e pertencimento social. Carregados de significados simbólicos, esses dispositivos se inserem em contextos marcados pela socialização e funciona enquanto um mediador de interações e como facilitador para a formação de vínculos sociais. Objetivo: Analisar o uso desses dispositivos enquanto uma prática simbólica relacionada à identidade e à sociabilidade entre os jovens. Metodologia: Pesquisa quantitativa com interpretação sociocultural, considerando padrões de uso, motivações e contextos sociais de uso. Este estudo baseia-se em uma pesquisa de mestrado conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), realizada entre 2022 a 2024. A amostra foi composta por 588 universitários e todos participantes incluídos completaram integralmente o questionário, considerando o caráter voluntário, anônimo e confidencial, com todos os critérios éticos devidamente garantidos. A coleta de dados foi realizada de forma online, e a participação esteve condicionada ao aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados: As práticas de consumo contemporânea ultrapassam dimensões funcionais e operam enquanto formas de expressão simbólica. Neste contexto, os achados indicam que o consumo desses dispositivos se vinculada mais às experiências sensoriais e sociais. Se por um lado, o cigarro eletrônico se destaca por sua estética tecnológica, possibilidades de sabores, cores e personalização, pode ser visto enquanto um objeto de expressão individual. Por outro lado, temos o narguilé, que se consolida como prática ritualizada, centrada no compartilhamento e na construção de ambiências coletivas. Considerações Finais: O uso de dispositivos eletrônicos para fumar, deve ser compreendido como linguagem simbólica, social e estética, por meio da qual os jovens constroem sua noção de pertencimento, identidade e expressam a sua subjetividade. Nesse sentido, ao entender esse fenômeno a partir de uma perspectiva sociocultural, se torna possível ampliar o debate para além dos riscos à saúde, incorporando as dinâmicas de pertencimento, distinção e performatividade que atravessam o seu uso. Tal abordagem contribui para uma análise mais subjetiva e contextualizada, essencial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e intervenção mais sensíveis às práticas e significados atribuídos pelos próprios jovens. Palavras-Chave: Dispositivo eletrônico. Identidade. Perspectiva Sociocultural. Área temática: Educação em saúde.