A adolescência é marcada por intensas transformações biopsicossociais que podem aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento psíquico e aos comportamentos autolesivos. Nesse cenário, o suicídio constitui um importante problema de saúde pública e demanda estratégias interdisciplinares de prevenção que integrem educação, saúde mental e políticas sociais. Considerando o papel estratégico da escola na promoção da saúde mental e no fortalecimento de fatores protetivos, este estudo teve como objetivo analisar as crenças e percepções de educadores da educação básica sobre o suicídio na infância e adolescência, bem como avaliar os efeitos de uma capacitação formativa voltada à promoção da saúde mental no contexto escolar. Trata-se de um estudo quasi-experimental de grupo único, realizado com 56 professores de duas escolas privadas do município de São Paulo. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado aplicado em dois momentos: antes da intervenção (T1) e após a capacitação (T2). A intervenção, com duração de duas horas, abordou dados epidemiológicos, desconstrução de mitos, identificação de sinais de alerta, fatores de risco e proteção, além de estratégias de acolhimento e encaminhamento no ambiente escolar. Os resultados evidenciaram mudanças estatisticamente significativas em todas as dimensões avaliadas, incluindo redução de crenças equivocadas, ampliação do reconhecimento de sinais de risco e fortalecimento da autoeficácia docente para lidar com situações relacionadas à ideação suicida. Observou-se também maior compreensão do papel da escola como espaço privilegiado de prevenção e promoção da saúde mental. Conclui-se que capacitações breves, fundamentadas em evidências científicas, contribuem para fortalecer o ambiente escolar como espaço protetivo, ampliando a capacidade dos educadores para identificar sinais precoces, promover acolhimento qualificado e realizar encaminhamentos adequados, favorecendo a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental de adolescentes.