Introdução: A crescente inserção da Inteligência Artificial (IA) na saúde tem sido amplamente celebrada como avanço tecnológico, conforme discutido por Pinho (2022). No entanto, essa abordagem frequentemente ignora que a IA não é neutra nem meramente instrumental, mas sim um agente que reconfigura profundamente as relações de poder no cuidado em saúde. Apontada como ferramenta de apoio ao diagnóstico e à tomada de decisão, a IA desloca a centralidade do cuidado de uma lógica empática para uma lógica algorítmica. A empatia, quando mencionada, surge como adereço complementar, não como resistência radical à automatização. Como ponderam Wagstaff e Fernandes (2024), há urgência em repensar os impactos éticos e humanos dessas transformações. Objetivo: Problematizar criticamente os desafios éticos envolvidos na adoção da Inteligência Artificial na prática da enfermagem, questionando seus efeitos sobre o cuidado, a autonomia profissional e a desumanização do trabalho.