INTRODUÇÃO
A infância e a adolescência representam fases cruciais no desenvolvimento humano, caracterizadas por intensos processos de amadurecimento emocional, cognitivo e social. Nesse período, o ser humano vivencia descobertas de si, de suas relações com o outro e do mundo ao redor, entretanto, vulnerabilidades psíquicas podem se manifestar neste espaço temporal gerando diversos tipos de sofrimento. Nesse contexto, segundo Rodrigues e Mieto (2022, p. 1) “podemos conceber o brincar como atividade constitutiva da experiência de ser criança e como potência criadora”. Elencando o jogo e a experimentação de papéis diante do role-play como elementos facilitadores no processo terapêutico infantil, pois a externalização de conteúdos internos emergem de maneira segura e simbólica.
Na psicoterapia infantojuvenil, o brincar assume função de linguagem: através de jogos, desenhos, bonecos, histórias e dramatizações, a criança e adolescente expressam conflitos, medos, fantasias e esperanças, possibilitando ao profissional acessar sua subjetividade com menos resistência do que em vias estritamente verbais. Tal abordagem encontra respaldo em autores clássicos como Vygotsky, Piaget etc. e tem na contemporaneidade demonstrando o potencial do brincar terapêutico para o desenvolvimento socioemocional (Rodrigues e Mieto, 2022).
Soma-se a isso, a vivência em uma sociedade marcada por profundas transformações tecnológicas. Crianças e adolescentes nascem e/ou crescem imersos em dispositivos digitais de mais variados tipos, sejam eles tablets, smartphones, consoles de videogame ademais interagem comumente com redes sociais e ambientes virtuais. Essa realidade tecnológica redefine as formas de aprender, brincar, socializar e lidar com emoções, abrindo novos caminhos, mas também impondo desafios à psicoterapia tradicional (John Hopkins Medicine, 2024).
Assim sendo, o psicoterapeuta infantojuvenil perante o exposto por Reynard et al. (2022) deve convidar-se a repensar suas práticas, de modo a dialogar com o universo simbólico digital vivenciado por este grupo. Implicando na reflexão não apenas sobre a manutenção dos formatos clássicos de intervenção e na incorporação de recursos tecnológicos como os jogos digitais, realidade virtual e aplicativos de saúde mental para ampliar a escuta terapêutica e apoiar a recuperação psíquica.
Como ponto de partido, precisa-se entender que o papel do lúdico digital na psicoterapia infantojuvenil, explora os jogos e recursos tecnológicos de maneira a sua utilização como instrumentos de intervenção e fortalecimento emocional, especialmente no contexto psiquiátrico de crianças e adolescentes (Gomes e Gama, 2024).