INTRODUÇÃO
As transformações observadas na formação dos profissionais da saúde nas últimas décadas têm impulsionado a busca por estratégias pedagógicas capazes de superar as limitações dos modelos tradicionais de ensino. No contexto da educação médica, a necessidade de desenvolver competências relacionadas ao raciocínio clínico, à tomada de decisão, à resolução de problemas e ao trabalho em equipe tem favorecido a adoção de metodologias ativas que posicionam o estudante como protagonista do processo de aprendizagem. Nesse cenário, a gamificação tem se destacado como uma ferramenta educacional inovadora, caracterizada pela incorporação de elementos típicos dos jogos, como desafios, recompensas, pontuações e feedbacks, em contextos não relacionados ao entretenimento.
A utilização da gamificação no ensino médico tem despertado crescente interesse devido ao seu potencial de promover maior engajamento, motivação e participação dos estudantes durante as atividades acadêmicas. Diferentemente das abordagens centradas exclusivamente na transmissão de conteúdos, as estratégias gamificadas estimulam a interação, a colaboração e a aprendizagem ativa, favorecendo a construção do conhecimento de forma mais dinâmica e significativa. Além disso, a associação entre tecnologia e educação tem ampliado as possibilidades de aplicação dessa metodologia em diferentes cenários de ensino, incluindo disciplinas básicas, atividades práticas, simulações clínicas e processos de avaliação.
Estudos recentes sugerem que a gamificação pode contribuir para o aumento da retenção do conhecimento, melhoria do desempenho acadêmico e desenvolvimento de habilidades essenciais para a prática profissional. Entretanto, sua implementação também apresenta desafios relacionados à capacitação docente, ao planejamento pedagógico e à adequação das estratégias às necessidades dos estudantes e dos objetivos educacionais propostos. Dessa forma, a discussão sobre os impactos da gamificação no ensino médico torna-se relevante diante das constantes mudanças observadas na formação em saúde e da necessidade de aperfeiçoamento dos processos de ensino-aprendizagem.
Nesse contexto, compreender as potencialidades e limitações da gamificação pode contribuir para a adoção de práticas educacionais mais eficazes e alinhadas às demandas contemporâneas da educação médica.