INTRODUÇÃO
A Candida auris é um fungo emergente que se destaca como importante agente etiológico de infecções hospitalares, particularmente pela sua elevada resistência antifúngica e facilidade de disseminação nos ambientes de saúde. Identificada pela primeira vez em 2009 em Tóquio, Japão, a espécie rapidamente disseminou-se por diversos continentes, com aumento expressivo de casos notificados entre 2015 e 2025 (CDC, 2024; OMS, 2022).
No Brasil, surtos foram documentados entre 2021 e 2025, predominantemente em pacientes gravemente enfermos internados em unidades de terapia intensiva (UTI), incluindo indivíduos diagnosticados com COVID-19, cuja imunossupressão e uso prolongado de corticosteroides e antimicrobianos aumentaram a suscetibilidade à colonização e infecção fúngica invasiva (ANVISA, 2024; BRASIL, 2025).
Esse microrganismo apresenta notória dificuldade de identificação por métodos fenotípicos convencionais, podendo ser erroneamente confundido com outras espécies do gênero Candida — como C. haemulonii, C. sake e C. famata —, o que compromete a precisão epidemiológica e o tratamento adequado. Em contrapartida, a espectrometria de massas por laser de desorção/ionização com fonte de matriz auxiliar (MALDI-TOF MS) possibilita diagnóstico mais rápido e preciso, reduzindo o tempo de identificação de dias para minutos (PATEL, 2015; CDC, 2020).
Diante do exposto, compreender os mecanismos de resistência, as limitações dos métodos diagnósticos convencionais e as estratégias de controle em ambiente hospitalar torna-se imperativo para a segurança do paciente e a qualidade da assistência em saúde.