INTRODUÇÃO
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2022), a esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica crônica de caráter imunomediado, inflamatória, neurodegenerativa e desmielinizante que acomete o sistema nervoso central, caracterizada pela perda da mielina e consequente alteração na condução dos impulsos nervosos. A condição é responsável por apresentar uma grande variabilidade clínica, incluindo alterações motoras, sensitivas, cognitivas e autonômicas, interferindo diretamente na funcionalidade e qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Sua etiologia ainda não é totalmente esclarecida, porém envolve a interação entre fatores genéticos e ambientais com incidência principal entre adultos jovens, entre 20 e 50 anos, com maior frequência em mulheres.
Considerando que a EM compromete estruturas do sistema nervoso central envolvidas na transmissão dos impulsos nervosos, as vias responsáveis pela regulação da função urinária também sofrem alterações, desse modo, o comprometimento das vias neurológicas responsáveis pelo controle da micção em pacientes com EM podem apresentar disfunções do trato urinário inferior, podendo interferir nos mecanismos de armazenamento e esvaziamento vesical, responsável por declínio significativo da qualidade de vida dos indivíduos acometidos, gerando limitações físicas, sociais e emocionais (KURZE; JAEKEL, 2024).
Essas alterações do trato urinário inferior apresentam elevada prevalência em indivíduos com EM, acometendo aproximadamente 68% dessa população (AL DANDAN; COOTE; MCCLURG, 2020). A frequência e a gravidade dessas manifestações tendem a aumentar com a progressão da doença, demonstrando grande impacto na funcionalidade e no bem-estar dos pacientes. Nesse contexto, as disfunções vesicais estão associadas a prejuízos nas atividades de vida diária, no convívio social e na saúde emocional dos indivíduos acometidos (AHARONY; LAM; CORCOS, 2017).