INTRODUÇÃO
O Câncer é o conjunto de 100 diferentes tipos de enfermidades que envolvem o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos (INCA, 2022). Sendo um dos principais males da atualidade e causas de morte no mundo inteiro, ele tem efeitos debilitantes e seu tratamento é acompanhado por fatores de sofrimento físico, psicológico e social.
Em determinado momento, o carcinoma pode evoluir ao nível da ineficácia dos tratamentos modificadores do curso natural da doença, impossibilitando o processo de cura dessa enfermidade. Desse modo, tornam-se imprescindíveis os Cuidados Paliativos Exclusivos, medidas de acompanhamento do paciente voltadas à melhora da qualidade de vida e à dignificação do mesmo e de sua rede de apoio durante o processo de terminalidade (SAUNDERS, 1984). Esse estado do paciente oncológico não é processado com facilidade, dadas as dificuldades relacionadas à própria compreensão da morte, à perda de significado diante da condição vivenciada e à sensação de luto pelas oportunidades que deixam de ser experienciadas em razão da expectativa de morte iminente.
O indivíduo entra em sofrimento pelo seu estado, pelas coisas que deixa por fazer e por aqueles ao seu redor, desenvolvendo sentimentos de desesperança e podendo enfrentar as fases de um luto antecipatório (SAUNDERS, 1984). Desse modo, o vazio existencial compromete ainda mais a qualidade de vida do paciente em estado terminal, intensificando preocupações, dores físicas e questões relacionais. Assim, buscando auxiliar esses indivíduos diante dessa realidade, a abordagem logoterápica apresenta-se como uma possibilidade de contribuição para o enfrentamento e a ressignificação do sofrimento (OLIVEIRA; LAURO, 2025).
A logoterapia é uma abordagem da psicologia desenvolvida por Viktor Emil Frankl (1905-1997), construída a partir de suas reflexões sobre experiências extremas de sofrimento humano, nas quais propôs que o ser inerentemente tende a encontrar um sentido para a sua vida, dando uma razão para a sua existência e para as situações em que passa, podendo ele ser um valor, indivíduo ou razão aquém de si próprio. Com isso, esta abordagem propõe devolver sentido a vida, permitindo ao indivíduo ressignificar o sofrimento vivenciado e atribuir propósito à própria existência (FRANKL, 2023).
Logo, este trabalho busca investigar como os fundamentos da logoterapia podem contribuir para a ressignificação do sofrimento em pacientes oncológicos em estado terminal, favorecendo a autonomia, a qualidade de vida e o bem-estar biopsicossocial. Desse modo, esta revisão busca ampliar a compreensão sobre a relação entre logoterapia e terminalidade, identificando, por meio da literatura científica, as principais contribuições dessa abordagem para pacientes oncológicos sob cuidados paliativos exclusivos.