INTRODUÇÃO
A dor, reconhecida como o quinto sinal vital, é um fenômeno multidimensional que envolve aspectos sensoriais, emocionais, cognitivos e sociais, sendo vivenciada de maneira distinta por cada indivíduo (Sousa, 2002). Em pacientes oncológicos idosos, a dor não apenas limita atividades básicas da vida diária, mas também afeta diretamente o bem-estar físico e psicológico, contribuindo para maior vulnerabilidade emocional e perda de autonomia (Izidório et al., 2017). Nos cuidados paliativos, a dor é o sintoma mais frequente, seguida de náusea, vômito, dispneia e fadiga, exigindo intervenções direcionadas e individualizadas (Bittencourt, 2021).
Em idosos, a complexidade do manejo da dor se intensifica. Fatores como déficits sensoriais, comprometimento cognitivo e presença de múltiplas doenças crônicas dificultam a expressão da queixa álgica e, consequentemente, a avaliação clínica precisa (Silva e Salvetti, 2019). O tratamento farmacológico, baseado no uso de opioides como a morfina, apresenta eficácia, mas está associado a reações adversas previsíveis que exigem monitoramento contínuo. Entre elas, constipação, sonolência, confusão mental e náusea se destacam como eventos que podem ser prevenidos ou minimizados por meio de intervenções de enfermagem (Pimenta et al., 2006; Almeida et al., 2018).
Nesse cenário, o enfermeiro assume papel fundamental, pois sua atuação contínua junto ao paciente possibilita a detecção precoce de sinais de toxicidade e a implementação de medidas de cuidado seguras e humanizadas. Entretanto, estudos apontam que ainda há lacunas no conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre farmacodinâmica e farmacocinética de analgésicos em idosos, o que limita a efetividade das intervenções (Coelho et al., 2016). Assim, torna-se necessário aprofundar a compreensão sobre como a enfermagem atua frente a essas reações adversas, a fim de subsidiar protocolos e estratégias específicas voltadas à oncogeriatria.