INTRODUÇÃO
A ansiedade é uma reação humana natural perante situações percebidas como desafiantes, ameaçadoras ou incertas. Contudo, quando se torna intensa, persistente, desproporcionada ao contexto e interfere com o funcionamento pessoal, familiar, académico, profissional ou social, pode configurar uma perturbação de ansiedade. Estas perturbações estão associadas a preocupação excessiva, medo, sintomas físicos, evitamento e diminuição da qualidade de vida, exigindo respostas terapêuticas estruturadas e baseadas na evidência (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2026).
As técnicas de modificação do comportamento integram um conjunto de estratégias terapêuticas orientadas para a alteração de padrões cognitivos, emocionais e comportamentais desadaptativos. Integradas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), incluem-se intervenções como exposição gradual, treino de relaxamento, reforço positivo, treino de competências, modelagem, autorregisto, resolução de problemas e estratégias de regulação emocional. Estas técnicas procuram reduzir o evitamento, aumentar a perceção de controlo, promover respostas mais adaptativas e melhorar o funcionamento global da pessoa adulta com ansiedade.
A literatura evidencia que a TCC constitui uma das abordagens psicoterapêuticas mais estudadas nas perturbações de ansiedade, embora os resultados dependam do tipo de perturbação, da intensidade dos sintomas, da adesão terapêutica, da presença de comorbilidades e da qualidade da relação terapêutica. Bhattacharya et al. (2023) salientam que a TCC apresenta evidência favorável no tratamento de perturbações relacionadas com ansiedade, mas também reforçam a necessidade de leitura crítica dos resultados, sobretudo pela variabilidade metodológica dos estudos e pelas diferenças entre grupos de comparação.
Na prática de enfermagem de saúde mental e psiquiátrica, estas técnicas assumem relevância por permitirem uma intervenção estruturada, educativa e terapêutica, centrada na pessoa e ajustada às suas necessidades. O enfermeiro pode contribuir para a identificação de padrões de evitamento, para a promoção da adesão ao plano terapêutico, para a psicoeducação, para o treino de estratégias de coping e para o acompanhamento da evolução clínica. Assim, torna-se pertinente sintetizar o conhecimento disponível sobre a aplicação destas técnicas em adultos com ansiedade.