A radiografia panorâmica constitui um exame imaginológico de primeira escolha na prática odontológica, possibilitando avaliação abrangente das estruturas maxilomandibulares com relativa simplicidade operacional. Contudo, sua acurácia diagnóstica está diretamente condicionada ao correto posicionamento do paciente, fator este que se torna crítico em indivíduos portadores de assimetrias craniofaciais, alterações posturais e limitações funcionais. Tais variações frequentemente inviabilizam a aplicação rigorosa dos protocolos padronizados descritos na literatura, exigindo do operador capacidade de adaptação técnica fundamentada na experiência clínica. O presente estudo tem como objetivo analisar criticamente as limitações dos protocolos convencionais de posicionamento em radiografias panorâmicas, destacando a necessidade de individualização técnica diante de discrepâncias anatômicas. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, baseado na observação clínica sistematizada em serviços de radiologia odontológica. Os achados evidenciam que pacientes com desvios mandibulares, assimetrias faciais marcantes, alterações no plano oclusal, limitações de abertura bucal ou comprometimentos neuromusculares requerem ajustes específicos, incluindo variações no alinhamento do plano de Frankfurt, compensações na linha média e modificações na altura e projeção do mento. Observa-se que tais intervenções, embora determinantes para a obtenção de imagens com menor grau de distorção geométrica e melhor definição estrutural, são escassamente abordadas em manuais técnicos, sendo majoritariamente adquiridas por meio da prática e da vivência profissional. Conclui-se que a padronização, embora essencial, mostra-se insuficiente frente à diversidade morfofuncional dos pacientes, sendo imprescindível a incorporação de uma abordagem crítica e individualizada. Nesse contexto, a expertise do operador emerge como fator determinante para a qualidade do exame e para a confiabilidade do diagnóstico radiográfico.