Introdução: Os catadores de materiais recicláveis desempenham papel fundamental na gestão de resíduos sólidos urbanos e na promoção da sustentabilidade ambiental, contribuindo para a recuperação de materiais e para o funcionamento da economia circular. Apesar da relevância econômica de sua atividade, esses trabalhadores permanecem inseridos em contextos marcados pela informalidade, insegurança ocupacional e fragilidade da proteção social. Nesse cenário, a precarização do trabalho constitui determinante das condições de saúde e qualidade de vida dessa população. Objetivo: Refletir sobre as relações entre precarização laboral e saúde dos catadores de materiais recicláveis, à luz dos referenciais da Saúde do Trabalhador e da determinação social da saúde. Metodologia: Trata-se de um estudo teórico-reflexivo de abordagem qualitativa, desenvolvido a partir de revisão narrativa da literatura e análise crítica de referenciais da Saúde do Trabalhador e da determinação social da saúde. Foram selecionadas produções científicas e documentos técnico-institucionais sobre precarização laboral, trabalho informal, vulnerabilidade social e saúde de catadores. O processo analítico fundamentou-se na interpretação crítica dos achados, buscando compreender como as condições de trabalho, as desigualdades sociais e a insuficiência da proteção social influenciam os processos de saúde e adoecimento desses trabalhadores. Resultados: Os estudos analisados evidenciam que os catadores estão expostos a múltiplas formas de precarização, caracterizadas por instabilidade de renda, ausência de direitos trabalhistas e exposição a riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, além de discriminação social. Essas condições favorecem a ocorrência de acidentes, adoecimentos osteomusculares, sofrimento psíquico e limitações funcionais. Observa-se ainda que a precarização ultrapassa o ambiente laboral, relacionando-se a desigualdades sociais históricas que limitam o acesso à proteção social, aos serviços de saúde e às oportunidades de inclusão econômica. Embora desempenhem atividade essencial para a sustentabilidade urbana, os catadores permanecem inseridos em relações de trabalho marcadas pela invisibilidade social e pela vulnerabilidade institucional. Considerações Finais: A saúde dos catadores deve ser compreendida para além dos riscos ocupacionais, considerando os determinantes sociais que estruturam suas condições de vida e trabalho. O enfrentamento da precarização requer estratégias intersetoriais capazes de fortalecer a proteção social, ampliar o acesso a direitos e promover condições laborais mais seguras, saudáveis para esses trabalhadores.