Introdução: As infecções relacionadas à assistência à saúde representam um importante problema de saúde pública. Entre os principais agentes envolvidos destaca-se a Acinetobacter baumannii, bactéria oportunista associada a infecções graves e elevados índices de resistência antimicrobiana. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre a relação entre Acinetobacter baumannii e infecções da corrente sanguínea em ambientes hospitalares, com ênfase nos mecanismos moleculares de resistência, nos fatores associados à disseminação hospitalar e nas alternativas terapêuticas disponíveis. Metodologia: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados SciELO e PubMed. Foram incluídos artigos publicados entre 2018 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem bacteremia ou infecções da corrente sanguínea causadas por A. baumannii em ambientes hospitalares. Excluíram-se estudos relacionados a infecções comunitárias, publicações em outros idiomas, duplicatas e trabalhos que não apresentavam relação direta com o tema. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, os estudos selecionados foram analisados quanto aos mecanismos de resistência, perfil epidemiológico e estratégias terapêuticas. Resultados: Os estudos demonstraram alta prevalência de resistência antimicrobiana. O gene blaOXA-23 foi associado a elevadas taxas de resistência aos carbapenêmicos, comprometendo as opções terapêuticas. Também foram observadas altas frequências de cepas multirresistentes, especialmente em UTIs e hospitais públicos. O cefiderocol destacou-se como alternativa terapêutica promissora, embora existam relatos de resistência emergente e necessidade de monitoramento contínuo. Conclusão: A literatura evidencia que Acinetobacter baumannii figura entre os principais agentes etiológicos das infecções da corrente sanguínea associadas à assistência à saúde. A ampla disseminação do gene blaOXA-23 e os elevados índices de resistência aos carbapenêmicos representam importantes desafios terapêuticos e epidemiológicos. Embora o cefiderocol apresente resultados promissores, a emergência de novas resistências reforça a necessidade de vigilância microbiológica contínua, programas de gerenciamento do uso de antimicrobianos e fortalecimento das estratégias de prevenção e controle de infecções hospitalares, especialmente em unidades de terapia intensiva