Introdução: A psicoterapia com homens que apresentam histórico de violência doméstica configura-se como uma intervenção crucial para a promoção da saúde mental e a desconstrução de dinâmicas relacionais disfuncionais. Objetivo: Relatar a contribuição do processo psicoterapêutico no reconhecimento das origens emocionais da violência em um homem com histórico de comportamentos agressivos. Metodologia: Realizar um estudo de caso descritivo, do tipo relato de experiência clínica, acerca do acompanhamento terapêutico de um paciente de 33 anos, com histórico de agressividade em quatro relacionamentos anteriores. Adotou-se uma abordagem integrativa, utilizando intervenções da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e da Psicanálise, focadas na identificação de crenças centrais, ressignificação de vivências infantis e manejo da regulação emocional, preservando-se o sigilo e os preceitos éticos. Resultados: Inicialmente, as atitudes agressivas eram justificadas por distorções cognitivas que culpabilizavam as parceiras. Ao longo das sessões, identificou-se o nexo entre os atos violentos e o histórico de privação afetiva e violência intrafamiliar na infância. Mediante técnicas de conscientização emocional e projeção reflexiva sobre o papel parental, o paciente reconheceu o impacto transgeracional de suas ações. Esse processo viabilizou a quebra do ciclo de violência, culminando na inserção do paciente em um novo relacionamento saudável, no ingresso ao ensino superior após dez anos de afastamento acadêmico, e na reestruturação do vínculo afetivo com os filhos, pautado na presença e na expressão de afeto. Considerações finais: O caso evidencia a relevância da psicoterapia como ferramenta de transformação individual e social. O manejo clínico fundamentado na TCC e na Psicanálise permitiu a responsabilização do sujeito e o desenvolvimento de novas habilidades emocionais, demonstrando que o investimento na saúde mental masculina atua diretamente na promoção de relações interpessoais saudáveis e na prevenção da violência na sociedade. C.S., evidenciou que: "Quando um homem encontra na psicoterapia o espaço para desarmar suas dores do passado, ele deixa de reproduzir o ambiente que o adoeceu e descobre a capacidade de transformar a força da agressão em potência de afeto."