Introdução: O trauma de face representa um desafio para os serviços de atendimento, por causar danos físicos importantes e também sofrimento psicológico às vítimas, especialmente quando associado à violência interpessoal. Objetivo: Relatar o caso de uma paciente grávida vítima de lesão facial extensa provocada por seu companheiro. Metodologia: Trata-se de um relato de caso clínico, com abordagem descritiva e qualitativa. O registro foi conduzido conforme os princípios éticos da Declaração de Helsinque, revisada em 2013. A paciente autorizou a divulgação dos dados e fotografias mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Paciente do gênero feminino, 16 anos, leucoderma, com 16 semanas de gestação, sofreu agressão física por arma branca, do tipo facão, provocada pelo companheiro, resultando em ferimento corto-contuso extenso em face. A paciente foi encaminhada a um serviço de referência em trauma, onde recebeu atendimento inicial conforme as normas do Advanced Trauma Life Support — ATLS. Na avaliação primária, apresentava vias aéreas pérvias, respiração e ventilação normais, estado neurológico preservado e 15 pontos na escala de coma de Glasgow. O controle da hemorragia foi realizado por pinçamento dos vasos sangrantes, associado à reposição volêmica com Ringer Lactato. Foram solicitados exames de imagem, e a tomografia computadorizada evidenciou fraturas cominutivas envolvendo osso zigomático, maxila e mandíbula da hemiface direita. Diante do quadro, a paciente foi encaminhada ao bloco cirúrgico, sendo submetida à reconstrução dos ossos e tecidos lesionados. Realizou-se desbridamento de tecidos desvitalizados, remoção de corpos estranhos, redução das fraturas às posições anatômicas, osteossíntese com fios de aço, bloqueio maxilomandibular associado ao arco de Erich, reconstrução do tecido celular subcutâneo e sutura cutânea. O resultado pós-operatório foi considerado excelente. Conclusão: Apesar de frequentes, os traumas por arma branca devem ser tratados de forma criteriosa e individualizada, devido ao risco de infecção e às possíveis sequelas funcionais, estéticas e psicológicas. Em gestantes vítimas de violência, o atendimento multidisciplinar é fundamental.