Introdução: A Central de Material e Esterilização (CME) realiza etapas de processamento de produtos para saúde que podem expor os trabalhadores a materiais biológicos e instrumentais cortantes ou pontiagudos. Apesar da relevância desse risco, a produção científica concentra-se principalmente em setores de assistência direta, havendo menor atenção às condições de trabalho nas CME, especialmente em serviços odontológicos. Objetivo: Analisar o que a literatura descreve sobre a ocorrência de acidentes com material perfurocortante entre trabalhadores de CME, os fatores associados e as medidas de prevenção propostas. Metodologia: Revisão narrativa, descritiva e qualitativa, realizada nas bases Biblioteca Virtual em Saúde, SciELO e PubMed, com termos relacionados à CME, acidentes de trabalho, materiais perfurocortantes, riscos ocupacionais e enfermagem, em português e inglês. Foram analisados quatro estudos diretamente relacionados ao tema, complementados por legislação sanitária e de segurança do trabalho. Resultados: Os estudos identificaram os acidentes com perfurocortantes como eventos relevantes no setor, associados ao volume de materiais processados, à sobrecarga, à exaustão, à organização do trabalho e ao conhecimento sobre o manuseio dos produtos para saúde. Em estudo com trabalhadores do reprocessamento de instrumentais odontológicos, a incidência de lesões em 12 meses foi de 21,7%, e o processamento de mais de mil peças por dia esteve associado a maior chance de acidente. A ocorrência de lesões mesmo com uso de luvas e instrumentos auxiliares evidencia que os equipamentos de proteção não eliminam o risco. A subnotificação também foi identificada, relacionada ao medo de repercussões, à falta de informação, à sobrecarga e à complexidade do registro. A capacitação isolada não demonstrou associação suficiente com menor risco, enquanto a avaliação posterior ao treinamento esteve relacionada à redução do risco e à maior probabilidade de notificação. Conclusões: A prevenção de acidentes na CME requer ações articuladas, incluindo protocolos para triagem e limpeza, organização do fluxo de materiais, dimensionamento compatível com a demanda, educação permanente com avaliação prática e sistemas de notificação acessíveis. Ressalta-se a necessidade de estudos nacionais que avaliem intervenções estruturais e estratégias de identificação e organização dos instrumentais, especialmente em serviços odontológicos ambulatoriais.