Introdução: A aprendizagem envolve processos cognitivos que permitem adquirir, organizar, armazenar e recuperar informações. No contexto educacional, entretanto, é comum que estudantes recorram à repetição e à memorização mecânica como estratégias para provas e outras atividades avaliativas. Embora memorizar informações tenha importância para diferentes aprendizagens, a simples decoração de conteúdos, quando desvinculada da compreensão e da construção de relações entre conhecimentos, pode favorecer uma retenção superficial e pouco funcional. Objetivo: Analisar os limites da memorização mecânica como estratégia de estudo e discutir a importância da compreensão para uma aprendizagem mais consistente e duradoura. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo, baseada na análise de produções científicas das áreas da Psicologia Cognitiva e da Psicologia da Educação relacionadas à memória, aprendizagem e estratégias de estudo. Resultados: A literatura indica que repetir uma informação pode contribuir para sua retenção, sobretudo em determinadas tarefas que exigem recordação. Entretanto, estudar exclusivamente por repetição não garante a compreensão do conteúdo nem sua utilização em situações diferentes daquelas em que foi inicialmente aprendido. Estratégias que exigem participação cognitiva mais ativa, como recuperar informações sem consultar o material, relacionar conhecimentos novos aos previamente adquiridos, explicar conceitos com as próprias palavras e distribuir os estudos ao longo do tempo, favorecem a consolidação e a recuperação posterior das informações. Dessa maneira, a eficácia do estudo não depende apenas da quantidade de vezes que determinado conteúdo é lido ou repetido, mas também da profundidade com que é processado e utilizado pelo estudante. Considerações Finais: A memorização não deve ser considerada inútil, mas apresenta limitações quando empregada isoladamente e sem compreensão. A adoção de estratégias de estudo que combinem memória, compreensão, recuperação ativa e aplicação do conhecimento pode favorecer aprendizagens mais duradouras e significativas.