Introdução: A pornografia tem se tornado cada vez mais acessível e o primeiro contato, em geral, ocorre durante a adolescência. A exposição precoce à pornografia resulta em preocupações relacionadas à saúde mental, apontando para a presença em diferentes contextos de risco. Objetivo: Analisar as associações entre a faixa etária do primeiro contato com a pornografia, os níveis de uso problemático, os efeitos percebidos, os comportamentos sexuais e as crenças morais. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, observacional, transversal, online e com amostra de conveniência, com 981 adultos entre 18 e 34 anos, sendo 55% homens e 45% mulheres. Aplicou-se as escalas: Consumo Problemático de Pornografia, a escala de Efeitos do Consumo de Pornografia e 23 perguntas sobre hábitos, experiências sexuais e crenças. Resultados: O grupo de acesso precoce (antes dos 10 anos) não esteve associado a maior intensidade de consumo problemático ou frequência de uso. Entretanto, esse grupo apresentou maiores efeitos negativos percebidos, culpa e arrependimento, exceto a maior percepção de prejuízos ao desempenho sexual. Também observou-se maiores prevalências de crenças de imoralidade e pecado em relação à pornografia, maior busca por fantasias não realizadas presencialmente e menor comportamento de masturbação associada ao uso atual. Conclusões: A idade do primeiro contato não esteve associada a maior intensidade de consumo problemático de pornografia, mas a exposição precoce esteve relacionada a maiores efeitos negativos percebidos, como culpa e crenças morais negativas. Os achados sugerem que a experiência associada ao primeiro contato pode estar relacionada à forma como o consumo é percebido e vivenciado na vida adulta.