Introdução: O acesso facilitado e anônimo à internet popularizou o consumo de pornografia, e ampliou pesquisas sobre o Uso Problemático de Pornografia (PPU), relacionada à perda de controle dos impulsos e disfuncionalidades que afetam várias áreas da vida do indivíduo. Objetivo: Identificar perfis latentes de PPU entre adultos jovens brasileiros e investigar suas associações com características sociodemográficas, comportamentos sexuais e crenças morais. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, com uma amostra de conveniência e online. Participaram do estudo 983 adultos de 18 a 34 anos, sendo 543 homens e 440 mulheres, que relataram uso de pornografia nos dois meses anteriores à pesquisa. Aplicou-se as escalas: Consumo Problemático de Pornografia, Efeitos do Consumo de Pornografia, e questões sobre hábitos, crenças e experiências sexuais. Os perfis foram identificados pela Análise de Perfil Latente e comparados por regressões ajustadas. Resultados: As análises revelaram quatro grupos sendo: Baixo Uso Problemático de Pornografia com os menores escores em todas as dimensões (15%); Predomínio de Efeitos Positivos (PEP) com uso intenso de pornografia e poucos prejuízos percebidos (10,3%); Uso Problemático de Pornografia com Efeitos Limitados sendo o mais frequente (61,2%) e com uso elevado, mas baixos efeitos percebidos; Uso Problemático de Pornografia com Efeitos Negativos (PNE) com os maiores índices de uso problemático (13,5%) e de efeitos negativos. O perfil PNE apresentou maiores índices de culpa e percepção de imoralidade e pecado, enquanto o PEP combinou uso intenso com menor culpa. Conclusões: Observou-se que o uso de pornografia não afeta a todos da mesma forma. Além disso, o uso intenso de pornografia também pode oferecer experiências positivas. Assim, a forma de uso pode impactar a experiência subjetiva do indivíduo. Recomenda-se que as propostas de intervenção considerem os padrões de uso e as crenças morais.