Introdução: A incongruência moral tem sido associada ao uso de pornografia e ocorre quando um indivíduo sente conflito com o uso de pornografia e sentimentos de culpa, vergonha e arrependimento. Objetivo: Analisar como diferentes grupos religiosos percebem o uso de pornografia. Metodologia: Tratou-se de um estudo transversal, exploratório, online e com amostra de conveniência. Os participantes foram agrupados em quatro grupos: cristãos; pessoas de outras religiões; pessoas sem filiação religiosa que declararam acreditar em Deus; e ateus/agnósticos. Participaram deste estudo 1.441 jovens adultos dos quais 765 eram mulheres e 676 eram homens. Aplicou-se as escalas: Sociodemográficas, Consumo Problemático de Pornografia, Efeitos de Consumo de Pornografia, e 3 perguntas de conteúdo moral. Resultados: Os grupos religiosos diferiram em características sociodemográficas, histórico de primeiro contato e consumo recente de pornografia, com maior proporção de não uso recente entre cristãos. A desaprovação moral também foi mais frequente nesse grupo, seguida pelos participantes sem religião que acreditavam em Deus. A inclusão da desaprovação moral no modelo reduziu substancialmente as diferenças entre os grupos quanto ao não uso recente, indicando sua importante participação nessa associação. Entre os participantes com consumo recente, não foram observadas diferenças no consumo problemático, mas os efeitos percebidos variaram entre os grupos: ateus e agnósticos apresentaram mais efeitos positivos, enquanto cristãos relataram mais efeitos negativos. Considerações Finais: Os achados sugerem que as diferenças entre os grupos religiosos e o não uso de pornografia estão associados à desaprovação moral. Não foram observadas diferenças no uso problemático de pornografia, mas observou-se concepções distintas entre os grupos, tais como percepções negativas entre os cristãos e positivas entre os ateus e agnósticos.