Introdução: A aporofobia, compreendida como a rejeição, aversão ou discriminação direcionada às pessoas em situação de pobreza ou vulnerabilidade socioeconômica, constitui um fenômeno social que pode comprometer o acesso a direitos fundamentais, incluindo a saúde. No contexto brasileiro, indivíduos em situação de rua, pobreza extrema e vulnerabilidade social podem enfrentar barreiras institucionais, sociais e culturais que dificultam sua inserção nos serviços de saúde. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar as repercussões da aporofobia sobre o acesso à saúde e discutir estratégias de acolhimento e amparo às populações socialmente vulnerabilizadas. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de caráter descritivo e qualitativo, fundamentada em publicações científicas e documentos relacionados aos direitos sociais, à equidade e à atenção à saúde de populações vulneráveis. Resultados: Assim, percebe-se que a literatura evidencia que o estigma associado à pobreza pode contribuir para situações de discriminação, invisibilização social e dificuldades na busca e continuidade do cuidado. Nesse cenário, os serviços de saúde apresentam papel fundamental na garantia do acesso universal e equitativo, especialmente por meio do acolhimento humanizado, da escuta qualificada e da articulação intersetorial. Estratégias direcionadas à população em situação de rua, incluindo a atuação das equipes de Consultório na Rua e a integração com a assistência social, representam mecanismos importantes de aproximação e cuidado. Conclusão: Conclui-se que o enfrentamento da aporofobia exige ações que ultrapassem a assistência individual, envolvendo educação permanente, combate ao estigma, fortalecimento das políticas públicas e garantia dos direitos sociais, de modo a promover maior equidade e dignidade às populações em situação de vulnerabilidade.