Introdução: Os fatores de risco psicossocial no trabalho interferem na vida laboral do trabalhador brasileiro. Entre esses fatores, destacam-se a sobrecarga de tarefas, o ritmo acelerado, a baixa autonomia, o conflito trabalho-família, o assédio e o suporte de liderança inadequado. Essas condições agravam a incidência de absenteísmo, reduzem a qualidade de vida no trabalho e intensificam a intenção de abandono do emprego ou da profissão. Objetivo: Investigar as consequências dos riscos psicossociais na vida laboral dos trabalhadores brasileiros. Método: Trata-se de um levantamento bibliográfico. A busca realizada no Consensus identificou aproximadamente 9,3 milhões de registros potencialmente relacionados ao tema. Após aplicação automatizada dos critérios de relevância e elegibilidade, a plataforma classificou 552 registros como pertinentes e selecionou os 100 estudos mais relevantes para compor a síntese. Resultados: Os achados mostram que a exposição aos riscos psicossociais compromete a rotina profissional e a saúde do trabalhador brasileiro antes mesmo da concretização do desligamento. Na área da saúde e da enfermagem, o trabalho sob ritmo acelerado e elevadas exigências, aliado ao desequilíbrio entre esforço e recompensa, configura-se como o principal impulsionador do desejo de abandonar a profissão, efeito agravado pela falta de apoio dos supervisores. Entre gestores públicos, bancários e trabalhadores da assistência social, a baixa autonomia e a infraestrutura deficiente associam-se à exaustão emocional, à perda de rendimento e ao presenteísmo, comprometendo o bem-estar ocupacional. Em contrapartida, a satisfação no emprego, a autonomia sobre as tarefas e o suporte social e organizacional consolidam-se como os fatores protetores mais consistentes para mitigar o desgaste e assegurar a manutenção do vínculo laboral. Conclusões: Os riscos psicossociais afetam negativamente a saúde mental e o desempenho dos trabalhadores no Brasil. A obrigatoriedade do gerenciamento desses riscos pela Norma Regulamentadora 1 (NR-1) representa um avanço normativo que visa reduzir a intenção de desligamento e promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho.