INTRODUÇÃO: A doença de Parkinson é reconhecida por sintomas motores, porém manifestações sensitivas, como a dor, têm alta relevância clínica. É frequente, multifatorial, impacta a qualidade de vida e permanece subdiagnosticada e subtratada. Seu manejo deve ir além dos sintomas motores, com abordagens farmacológicas e não farmacológicas em perspectiva biopsicossocial, multimodal e individualizada. OBJETIVOS: Analisar evidências sobre o manejo da dor na doença de Parkinson, incluindo terapias farmacológicas e não farmacológicas, neuromodulação, terapias complementares e estratégias multidisciplinares, bem como seus efeitos clínicos e psicossociais. METODOLOGIA: Revisão sistemática conforme PRISMA, com protocolo PROSPERO (CRD420261358997). Busca em PubMed, Scopus e Embase, incluindo estudos dos últimos cinco anos, sem restrição de idioma. Incluíram-se estudos primários com adultos com Parkinson que abordassem dor ou manejo (ensaios clínicos, observacionais, qualitativos e séries de casos). Excluíram-se revisões, protocolos e estudos sem aplicabilidade clínica. Após triagem, 20 estudos foram incluídos. Devido à heterogeneidade, a análise foi qualitativa. As evidências apresentaram risco de viés predominantemente moderado conforme as ferramentas do Joanna Briggs Institute (JBI), exigindo cautela na interpretação. RESULTADOS: A dor é altamente prevalente (40–90%), frequentemente subdiagnosticada e associada à pior qualidade de vida e incapacidade. É multifatorial (nociceptiva, neuropática e nociplástica), com predomínio da musculoesquelética. Acomete principalmente segmentos cervicais, cintura escapular, dorso e membros inferiores, associada à rigidez e distonia. Nas formas neuropáticas, pode seguir padrão dermatômico, sugerindo envolvimento radicular ou periférico, além de dor central difusa. A fisiopatologia envolve dopamina, serotonina, noradrenalina e alterações nos circuitos centrais da dor. O manejo é multimodal: terapias dopaminérgicas melhoram limiares; exercício e fisioterapia apresentam benefícios. Neuromodulação (tDCS e rTMS) mostra resultados promissores, porém variáveis, e a estimulação cerebral profunda (DBS) destaca-se em casos avançados e refratários, com impacto motor e não motor. Fatores psicossociais influenciam a dor. CONCLUSÃO: A dor na doença de Parkinson é frequente, heterogênea e central, não restrita aos sintomas motores. O manejo depende do tipo de dor: terapias dopaminérgicas melhoram limiares, enquanto neuromodulação atua em mecanismos centrais, incluindo a DBS em casos selecionados. Intervenções não farmacológicas têm benefícios quando associadas. Fatores psicossociais e falhas no cuidado influenciam o controle da dor, exigindo abordagem individualizada baseada na fenotipagem.