INTRODUÇÃO: Mulheres portadoras de mutações nos genes BRCA1/2 apresentam elevado risco de câncer de mama, estimado entre 65–80% para BRCA1 e 45–70% para BRCA2. A mastectomia redutora de risco configura-se como uma das principais estratégias para diminuição da mortalidade. Entretanto, a indicação cirúrgica transcende o aspecto oncológico, repercutindo significativamente na esfera psicossocial. Embora a cirurgia reduza a ansiedade relacionada ao câncer, pode impactar negativamente a imagem corporal, a identidade feminina e a percepção sensorial. Esta revisão sistemática visa sintetizar evidências sobre esses efeitos, contribuindo para o aprimoramento do aconselhamento genético e do suporte clínico. OBJETIVOS: Avaliar o impacto da mastectomia redutora de risco na saúde mental, imagem corporal e qualidade de vida de mulheres com mutação BRCA1/2, incluindo aspectos de satisfação estética e sensorial. MÉTODOS: Revisão sistemática conduzida conforme diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO (CRD420261371641). A estratégia PICO incluiu: P (mulheres BRCA1/2), I (mastectomia), C (vigilância ou reconstrução) e O (saúde mental, imagem corporal e qualidade de vida). A busca foi realizada no PubMed (2021–2026), com termos MeSH e filtro de texto completo. Foram incluídos estudos primários com avaliação psicossocial por escalas validadas. Excluíram-se relatos de caso, revisões e estudos sem desfechos estruturados. Dos 38 estudos identificados, 10 compuseram a análise final, com avaliação metodológica pelas escalas Newcastle-Ottawa e JBI. RESULTADOS: Observou-se impacto dicotômico na saúde mental. A mastectomia promove redução significativa da ansiedade relacionada ao risco oncológico, enquanto a vigilância está associada a estresse crônico e conflito decisional. Em contrapartida, a cirurgia pode gerar prejuízos na imagem corporal e na função sensorial, com relatos de perda da percepção da mama como órgão sexual e sensação de “corpo estranho”. A reconstrução mamária, especialmente imediata, associa-se a melhores desfechos estéticos e de autoestima, embora não restaure plenamente a sensibilidade. Aspectos como culpa, impacto familiar e necessidade de ressignificação da identidade também são frequentemente descritos. CONCLUSÃO: A mastectomia redutora de risco em portadoras de BRCA1/2 reduz a ansiedade oncológica, mas impõe desafios relevantes à imagem corporal e ao bem-estar psicológico. A reconstrução mamária deve ser considerada sempre que possível. Destaca-se a importância de uma abordagem multidisciplinar, com suporte psicológico estruturado e manejo adequado das expectativas. Mais do que prevenir o câncer, é essencial cuidar integralmente da mulher, garantindo que suas escolhas sejam informadas, respeitadas e alinhadas à sua identidade e qualidade de vida.