INTRODUÇÃO: A endometriose é uma doença inflamatória crônica, estrogênio-dependente, caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico, associada principalmente à dor pélvica crônica, dismenorreia e impacto significativo na qualidade de vida. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo mecanismos inflamatórios, hormonais e neurossensoriais. Apesar das abordagens farmacológicas e cirúrgicas, limitações como recorrência e efeitos adversos levam a busca por estratégias complementares. Assim, diferentes protocolos têm sido investigados visando o manejo mais eficaz e individualizado da dor. OBJETIVOS: Avaliar as evidências científicas atuais disponíveis acerca do manejo da dor na endometriose, comparando a eficácia de diferentes protocolos terapêuticos. Nesse contexto, buscou-se analisar, de forma integrada, o impacto de intervenções hormonais, farmacológicas e não farmacológicas na redução da dor e na qualidade de vida das mulheres acometidas. METODOLOGIA: Revisão sistemática conforme PRISMA, com protocolo registrado na PROSPERO (CRD420261371629). A estratégia PICO foca em mulheres com dor na endometriose (P); terapias farmacológicas, físicas e digitais (I); placebo ou tratamento convencional (C); dor e qualidade de vida (O). As buscas foram realizadas nas bases PubMed e Scopus, sem restrição de idioma, incluindo ensaios clínicos e metanálises publicados nos últimos 5 anos com texto completo gratuito, utilizando os descritores (“Endometriosis”) e (“Pain management”) combinados pelo operador booleano “AND”. A pesquisa inicial identificou 40 registros; após triagem por critérios de elegibilidade e leitura integral, selecionaram-se 29 estudos para a síntese qualitativa. RESULTADOS: Os estudos demonstram que o manejo da dor na endometriose é mais eficaz quando realizado por abordagem integrada. Terapias farmacológicas, como antagonistas de GnRH, progestagênios e combinações hormonais, promoveram redução significativa da dor e menor recorrência. Intervenções não farmacológicas, incluindo fisioterapia, acupuntura, hidroterapia e terapias digitais imersivas, mostraram benefícios na redução da dor e melhora da qualidade de vida. Estratégias adjuvantes, como antioxidantes, também apresentaram efeito positivo. Em contraste, intervenções como melatonina e psicoterapia isolada não reduziram a dor, embora contribuam para melhora do bem-estar e enfrentamento da doença. CONCLUSÃO: A dor na endometriose é complexa e multifatorial, exigindo abordagem individualizada, multimodal e centrada na paciente. As evidências atuais indicam que o manejo mais efetivo combina terapias medicamentosas, hormonais e não medicamentosas, com impacto positivo na dor e na qualidade de vida. Contudo, limitações como heterogeneidade metodológica, amostras reduzidas e baixa padronização dos estudos ainda dificultam a consolidação de protocolos mais consistentes e condizentes à prática clínica.