INTRODUÇÃO: A obesidade pediátrica é um desafio de saúde pública. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que a condição afeta mais de 3,1 milhões de crianças menores de 10 anos, evidenciando a urgência de abordagens eficazes. Devido às limitações na manutenção ponderal via mudanças de estilo de vida isoladas, os análogos do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) surgem como alternativa ao mimetizarem incretinas na regulação do apetite e saciedade. Fármacos como a liraglutida e a semaglutida demonstram redução significativa do índice de massa corporal em jovens. A análise sistemática de sua segurança e eficácia é essencial para embasar a aplicabilidade clínica na pediatria. OBJETIVOS: Avaliar a eficácia e a segurança dos análogos do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1 no tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. METODOLOGIA: Conduziu-se uma revisão sistemática da literatura orientada pelas diretrizes PRISMA nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando descritores sobre agonistas de GLP-1, obesidade pediátrica e desfechos clínicos, combinados com operadores booleanos (‘AND’, ‘OR’). O RStudio auxiliou na organização dos 723 registros encontrados. Após a exclusão de 6 duplicatas e a aplicação de rigorosos critérios de elegibilidade para refinar a busca, a amostra final resultou na inclusão de 24 artigos. RESULTADOS: Os estudos expuseram que os análogos de GLP- 1, especialmente liraglutida e semaglutida, apresentam eficácia significativa na redução do Índice de Massa Corporal (IMC) e do peso corporal na pediatria. A semaglutida proporciona reduções superiores no IMC comparada ao placebo e a outros tratamentos convencionais. Além da perda ponderal e melhora metabólica (como sensibilidade à insulina e perfil lipídico), evidências apontam impacto positivo na redução da gordura hepática e de marcadores inflamatórios. Na segurança, os eventos adversos limitam-se majoritariamente a queixas gastrointestinais leves e transitórias. Observa-se um aumento expressivo no uso dessas medicações, impulsionado pela dificuldade de sucesso apenas com intervenções comportamentais, o que fomenta a discussão sobre a necessidade de aliar o tratamento medicamentoso ao não medicamentoso, não devendo o primeiro atuar como substituto. CONCLUSÃO: Os análogos de GLP-1 representam uma estratégia terapêutica promissora no manejo da obesidade pediátrica, atuando como ferramenta adjuvante. Contudo, o aumento do uso dessas terapias não exclui o tratamento não medicamentoso contínuo (reeducação alimentar e exercícios), que permanece a base do cuidado. A indicação clínica deve ser estritamente individualizada, considerando que o alto custo das medicações ainda é um grave empecilho para o acesso. Sendo a obesidade uma doença multifatorial, as intervenções devem estar inseridas em um cuidado amplo, sendo essencial consolidar evidências sobre a sustentabilidade da perda de peso a longo prazo.