INTRODUÇÃO: A sífilis congênita é uma infecção bacteriana de transmissão vertical causada pelo Treponema pallidum, que pode ocorrer em qualquer etapa da gestação ou durante o parto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma condição evitável mediante a testagem no pré-natal, e diante de resultado reagente para sífilis, efetuar tratamento adequado da gestante e do parceiro. Nos últimos anos, apesar de uma ligeira queda percentual, a sífilis congênita no Brasil apresenta uma estabilização em níveis cronicamente altos, o que demonstra a fragilidade da atenção primária. OBJETIVOS: O presente estudo tem como foco a análise do perfil epidemiológico da sífilis congênita em menores de um ano de idade no Brasil no período de 2014 a 2025. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, com delineamento de série temporal. A população do estudo compreende a totalidade dos casos de sífilis congênita notificados em menores de um ano de idade no período de janeiro de 2014 a junho de 2025. A pesquisa teve como base a análise de dados de notificação compulsória provenientes do Sistema Único de Saúde, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, Sistema de Informação sobre Mortalidade, Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. RESULTADOS: No período compreendido entre janeiro de 2014 e 30 de junho de 2025, o Brasil registrou um total de 369.468 casos de sífilis congênita em menores de 1 ano de idade. Desses, 161.304 eram residentes da região Sudeste, 109.583 Nordeste, 44.530 Sul, 32.498 Norte e 21.553 Centro-Oeste. A análise da série temporal indica que, após um período de ascensão, a incidência da patologia mostrou sinais de estabilidade a partir de 2021. Em 2024, foram registrados 24.443 casos, o que representa um declínio de 2,3% em comparação ao ano anterior. Apesar dessa redução discreta na taxa de incidência anual, os números absolutos permanecem em patamares elevados, sugerindo que a transmissão vertical da sífilis continua sendo um desafio crítico de saúde pública. CONCLUSÃO: O estudo epidemiológico evidencia que, embora a incidência da sífilis congênita no Brasil tenha apresentado uma tendência a estabilização a partir de 2021 e uma redução 2,3% em 2024, os números absolutos permanecem alarmantes, totalizando mais de 369.000 mil casos no período. Estes achados indicam que a persistência da transmissão vertical está intrinsecamente ligada a falhas estruturais na atenção primária com um diagnóstico tardio e a execução inadequada do protocolo de tratamento, tanto na gestante quanto de seus parceiros sexuais. Portanto, para reduzir efetivamente os impactos na saúde materno-infantil é necessário, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce.