INTRODUÇÃO: O infarto agudo do miocárdio (IAM) constitui um importante problema de saúde pública, figurando entre as principais causas de mortalidade no Brasil. Está associado a fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia e hábitos de vida inadequados, os quais são amplamente prevalentes na população e estão relacionados ao IAM. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares no estado de Goiás, destaca-se a necessidade de monitoramento contínuo. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal da mortalidade por infarto agudo do miocárdio no estado de Goiás de 2020 a 2024. MÉTODOS: Estudo ecológico, descritivo, de série temporal, com abordagem quantitativa, realizado com dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Incluíram-se óbitos por infarto agudo do miocárdio (CID-10 I21) em Goiás, de 2020 a 2024. As variáveis analisadas foram número de óbitos, sexo, faixa etária e distribuição temporal. Foram calculadas taxas de mortalidade por 100.000 habitantes, com dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo o Censo Demográfico de 2022 e estimativas intercensitárias oficiais. Os dados foram organizados em planilha eletrônica e analisados por estatística descritiva, com frequências absolutas e relativas. Para avaliação da tendência temporal, foi aplicada regressão linear simples. RESULTADOS: Foram registrados 14.617 óbitos por IAM no período analisado. Observou-se predominância no sexo masculino (64,2%) em relação ao feminino (35,8%). A maioria dos óbitos ocorreu em indivíduos com 60 anos ou mais (72,5%), com destaque para as faixas de 60-69 e 70-79 anos, evidenciando aumento da mortalidade com o avanço da idade. Houve aumento progressivo no número de óbitos entre 2020, 2021 e 2022, com pico em 2022 (3.121 óbitos), seguido de redução em 2023 (3.020) e 2024 (2.871). As taxas de mortalidade acompanharam esse comportamento, passando de aproximadamente 38,6 óbitos por 100.000 habitantes em 2020 para 44,2 em 2022, com posterior redução para 41,9 em 2023 e 39,0 em 2024. A análise de tendência por regressão linear indicou padrão de crescimento inicial, seguido de redução no período final da série. CONCLUSÃO: A mortalidade por IAM permanece elevada em Goiás, com maior acometimento em homens e idosos. Observou-se tendência de aumento até 2022, seguida de redução nos anos subsequentes. Esse padrão pode refletir o envelhecimento populacional, impactos indiretos da pandemia de COVID-19, como dificuldades de acesso aos serviços de saúde e fatores relacionados à transição demográfica e epidemiológica, com aumento da prevalência de doenças crônicas, que também contribuem para a manutenção de elevadas taxas de mortalidade por IAM. Os achados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção e controle dos fatores de risco cardiovasculares, especialmente na população idosa.