INTRODUÇÃO: A meningite é uma doença infectocontagiosa caracterizada pela inflamação das meninges, com elevada morbimortalidade, especialmente nas formas bacterianas. Nos últimos anos, observa-se, em Goiás, estabilidade no número de casos, com possível alteração no perfil de gravidade, em concomitância com a redução das coberturas vacinais no período pós-pandêmico de COVID-19, comprometendo a imunidade coletiva e favorecendo a circulação de agentes imunopreveníveis. OBJETIVOS: O objetivo desse estudo foi analisar a relação entre a cobertura vacinal, a incidência e o perfil de gravidade da meningite em Goiás, comparando os períodos pré e pós-pandemia. MÉTODOS: Trata-se de estudo ecológico, descritivo, de base secundária, com abordagem quantitativa, utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), por meio do DATASUS, e do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Foram analisados os casos de meningite no estado de Goiás no período de 2017 a 2025 e as coberturas vacinais (%) disponíveis de 2023 a 2025. Avaliaram-se as tendências temporais e a distribuição proporcional das etiologias, com ênfase nas formas bacterianas, além da relação entre vacinação e o comportamento epidemiológico da doença. RESULTADOS: Observou-se diminuição das coberturas vacinais a partir de 2023, mantendo-se abaixo da meta de 95%, preconizada pelo Ministério da Saúde, nos anos subsequentes disponíveis. Paralelamente, identificou-se manutenção no número anual de casos em Goiás. Contudo, houve elevação proporcional das formas bacterianas no período pós-pandemia, em detrimento das formas virais. Esse achado sugere mudança no perfil epidemiológico da doença, com predomínio de apresentações potencialmente mais graves. CONCLUSÃO: A redução da cobertura vacinal em Goiás associa-se à reemergência da meningite, não apenas pela persistência dos casos, mas pela alteração no perfil de gravidade, com maior participação de formas bacterianas, que apresentam evolução rápida, podendo causar óbito ou sequelas neurológicas em curto intervalo de tempo. Esse cenário indica fragilidade na proteção coletiva e potencial risco de elevação da morbimortalidade, reforçando a necessidade de fortalecimento das estratégias de imunização e vigilância epidemiológica no estado.