INTRODUÇÃO: A hanseníase é uma doença infectocontagiosa de notificação compulsória em todo o Território Nacional e investigação obrigatória, causada pelo Mycobacterium leprae. Apesar da disponibilidade de tratamento eficaz por meio da poliquimioterapia ofertada pelo SUS, o país permanece entre aqueles com maior carga da doença no mundo, evidenciando desafios persistentes na vigilância, no diagnóstico precoce e na interrupção da cadeia de transmissão, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica. OBJETIVOS: Relatar a situação epidemiológica dos casos de hanseníase no Brasil entre 2015 e 2024. Destacando tendências temporais e distribuição regional. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo ecológico, descritivo e quantitativo que utilizou dados secundários de acesso público disponibilizados pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, não necessitando da aprovação de um Comitê de Ética. RESULTADOS: No período 2015-2024, foram notificados 301.485 casos de hanseníase no Brasil, onde 238.204 foram casos novos e a proporção dos casos multibacilares cresceu 19,3% ao longo da série temporal, sugerindo diagnóstico tardio. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas de detecção durante o período, destacando-se os estados de Mato Grosso e Tocantins com os maiores coeficientes de 2024. Ademais, verificou-se crescimento de 32,5% nos registros ativos no período analisado, indicando a manutenção da endemicidade da doença. CONCLUSÃO: Os dados evidenciam a permanência da hanseníase como relevante problema de saúde pública no Brasil, com concentração regional e aumento proporcional de casos multibacilares, que sugerem diagnóstico tardio e necessidade do fortalecimento das estratégias de vigilância, rastreamento de contatos e detecção precoce.